HOME > Sudeste

Setor de terras raras atrai novas investidas no país

Interesse em Araxá (MG) cresce com foco em minerais estratégicos

Empreendimento da Mosaic (Foto: Divulgação)

247 - O setor de terras raras no Brasil volta a registrar movimentações relevantes com interesse crescente de empresas internacionais em ativos estratégicos. A nova disputa envolve áreas em Minas Gerais e reforça o papel do país no cenário global de minerais essenciais para a indústria tecnológica. A informação foi publicada nesta quarta-feira (22) pela coluna de Lauro Jardim

A mineradora australiana St George Mining avalia a aquisição de ativos industriais da Mosaic, localizados em Araxá (MG). A movimentação ocorre após uma operação bilionária no setor.

A recente compra da mineradora Serra Verde pela empresa USA Rare Earth (EUA), por US$ 2,8 bilhões, alterou o cenário local. Após a transação, a Mosaic colocou à venda sua unidade industrial na região, decisão que integra um processo global de reestruturação de portfólio.

A St George Mining atua no segmento de minerais estratégicos e concentra seus esforços no Projeto Araxá, com foco em terras raras e nióbio. Esses insumos têm papel central em cadeias produtivas de alta tecnologia e na transição energética.

Debate político e soberania

O avanço de empresas estrangeiras no setor tem gerado críticas no campo político. Lideranças progressistas apontam preocupação com propostas defendidas por pré-candidatos à Presidência, como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que, segundo opositores, buscam facilitar a atuação internacional sobre esses recursos.

De acordo com essas avaliações, as iniciativas podem afetar a soberania nacional ao permitir maior controle externo sobre reservas estratégicas.

Brasil no cenário global

O país ocupa posição de destaque no mercado internacional de terras raras. Dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), de 2024, indicam que o Brasil possui a segunda maior reserva do mundo, com cerca de 21 milhões de toneladas. A China lidera com 44 milhões de toneladas, enquanto a Índia aparece em terceiro lugar. A estatística saiu no jornal Valor Econômico em 25 de julho do ano passado. 

As terras raras englobam 17 elementos químicos fundamentais para diversos setores industriais. A produção desses materiais sustenta tecnologias como turbinas eólicas, veículos híbridos, equipamentos eletrônicos e sistemas de defesa.

Produção ainda limitada

Apesar do potencial, o Brasil mantém baixa produção. Em 2024, o país explorou cerca de 20 toneladas desses minerais. No mesmo período, a China extraiu 270 mil toneladas, seguida pelos Estados Unidos, com 45 mil, e por Myanmar, com 31 mil.

O contraste entre volume de reservas e produção efetiva evidencia a relevância estratégica do setor e amplia o interesse internacional sobre os recursos disponíveis no território brasileiro.

Artigos Relacionados