‘Sionistas e bolsonaristas não podem fazer do Judiciário um instrumento de perseguição’, afirma Lindbergh
Deputado critica tentativas de silenciar vozes contrárias a Israel, denunciado em tribunais internacionais por crime de genocídio
247 - O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) denunciou nesta quarta-feira (29), pela rede social X, que grupos sionistas e bolsonaristas usam o Poder Judiciário como um “instrumento de perseguição e silenciamento de vozes” contrárias à política de Israel, especialmente no contexto do conflito em Gaza. O petista escreveu uma mensagem de solidariedade ao presidente do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), Zé Maria de Almeida, condenado pela Justiça Federal em São Paulo a dois anos de prisão por crime de racismo.
“Quero manifestar meu apoio ao Zé Maria, do PSTU, e repudiar a decisão da Justiça Federal que o condenou à prisão por crime de racismo. Zé Maria defendeu legitimamente a reação do povo palestino contra a violência e o genocídio promovidos por Israel na Faixa de Gaza”, postou Lindbergh, acrescentando que decisão do Judiciário contra Zé Maria “fere de morte a liberdade política, o direito à crítica e à liberdade de expressão”.
“A Justiça, provocada por grupos sionistas e Bolsonaristas como a CONIB, não pode servir de instrumento de perseguição e silenciamento de vozes que se levantem contra a política de morte de Israel em Gaza e no Oriente Médio. Seguiremos dizendo em alto e bom som: Palestina Livre do rio ao mar!”.
O inquérito que resultou na condenação de Zé Maria foi baseado em declarações feitas por ele durante um protesto realizado em 22 de outubro de 2023, na Avenida Paulista, onde afirmou que a violência contra o sionismo, incluindo ações violentas de palestinos, era legítima. Zé Maria também defendeu a extinção do "estado sionista de Israel", propondo a criação de um "estado palestino, laico, democrático, do Rio Jordão ao mar".
Cenário global
Israel foi denunciado na Corte Internacional de Justiça pelo crime de genocídio contra palestinos na Faixa de Gaza, onde, segundo o Ministério da Saúde, ao menos 71.667 palestinos morreram desde 7 de outubro de 2023 em consequência dos bombardeios das forças israelenses. O Tribunal Penal Internacional também emitiu o mandado de prisão contra o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, em novembro de 2024.
Mas a denúncia na CIJ e a decisão do TPI não resultaram em efeitos práticos nos sentido de acabar de vez com a guerra na Faixa de Gaza, ocupada pelo grupo Hamas. Aliados de Israel, os Estados Unidos interferiram no conflito e anunciaram uma espécie de plano de paz em 2025.
O conflito não está na mesma proporção que tinha nos dois primeiros anos de guerra, mas, conforme denunciaram ativistas e intelectuais, os EUA tentarão tirar vantagens polêmicas do acordo para implementar uma administração supostamente pacífica em Gaza.



