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Tarcísio adota cautela e espera consolidação da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro para decidir sobre apoio

Governador de São Paulo evita apoio formal enquanto senador busca ampliar alianças e reduzir resistências

Tarcísio de Freitas e Flávio Bolsonaro (Foto: Paulo Guereta/Governo do Estado de SP | Andressa Anholete/Agência Senado)

247 - O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), tem adotado uma postura cautelosa diante da possível candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e evita, por ora, assumir um envolvimento direto na campanha. No entorno do governador, a avaliação é de que ainda não há um cenário suficientemente consolidado para um apoio formal, especialmente diante da necessidade de o senador ampliar sua base política.

Segundo a coluna da jornalista Victoria Abel, do SBT News, a avaliação de aliados é de que o quadro eleitoral comece a se definir com mais clareza a partir de março, período em que Tarcísio se sentiria mais à vontade para assumir uma posição mais explícita.

Estratégia de cautela no Palácio dos Bandeirantes

Aliados do governador apontam que Flávio Bolsonaro precisa, antes de tudo, avançar na própria construção política, especialmente junto a partidos de centro. A leitura interna é de que o senador ainda não reuniu apoio suficiente para pressionar por um engajamento mais intenso do governo paulista.

Resistência de partidos de centro

A cautela não se restringe ao Palácio dos Bandeirantes. Siglas como PP, União Brasil e Republicanos também têm evitado se posicionar publicamente, aguardando uma definição mais clara do cenário eleitoral e da viabilidade da candidatura.

Dificuldades na construção política do senador

Entre aliados de Tarcísio, há o entendimento de que Flávio dificilmente repetiria o desempenho eleitoral do pai em 2018, quando Jair Bolsonaro (PL) venceu a disputa presidencial sem coligações formais. O contexto atual, avaliam, exige articulações mais amplas e alianças sólidas.

Bastidores e dúvidas sobre a candidatura

Um aliado próximo do governador, que preferiu não se identificar, afirmou que Jair Bolsonaro ainda pode rever a decisão sobre a pré-candidatura do filho. Segundo ele, Flávio enfrentaria dificuldades em um eventual confronto eleitoral com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em razão da alta rejeição e de acusações relacionadas ao período em que atuou como deputado estadual no Rio de Janeiro.

Esse cenário de indefinição também é reforçado pelo fato de o PL ainda não ter indicado um nome alternativo para disputar o Senado pelo Rio de Janeiro, caso Flávio deixe a corrida eleitoral. Apesar disso, o senador afirma contar com o apoio do governador paulista. “Ele já declarou apoio a mim, mais de uma vez”, disse Flávio Bolsonaro.

Ruídos internos e críticas a assessores

Além das questões eleitorais, há também tensões envolvendo o principal conselheiro de Flávio Bolsonaro, Filipe Sabará. Ex-integrante do governo paulista, Sabará deixou a gestão após polêmicas quando era secretário-executivo de Desenvolvimento Social, ao divulgar um plano para encaminhar pessoas em situação de rua para trabalhar em plantações no interior do estado, sem aval da pasta ou do governador.

Sabará nega que tenha sido demitido e afirma que a saída ocorreu em comum acordo. “Tenho amizade com Tarcísio. Estive no Palácio dos Bandeirantes (nesta segunda-feira) por 3 horas, disse ao governador que a base bolsonarista está cobrando e vendo isso como possível traição. Tive um encontro com pelo menos 10 bancos e fundos, todos estão se perguntando sobre o apoio. Se ele der o apoio, todos se acalmam”, afirmou.

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