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Tarcísio apoia intenção do governo Trump de classificar PCC e CV como terroristas

Governador diz que decisão do governo Trump pode ampliar cooperação internacional contra o crime organizado; classificação abre porta para sanções

Governador Tarcísio de Freitas 29/01/2026 REUTERS/Adriano Machado (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

247 - O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou que considera positiva a possibilidade de os Estados Unidos classificarem as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

Para ele, a medida poderia abrir caminho para ampliar a cooperação internacional no combate ao crime organizado. A declaração, segundo a Folha de São Paulo, foi feita na tarde desta terça-feira (11), durante um evento no centro de controle operacional do Metrô de São Paulo.

Declaração de Tarcísio sobre facções

Ao comentar a proposta discutida em Washington, o governador afirmou que a eventual decisão do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode facilitar a integração de esforços entre os países.

“A gente enxerga isso como uma oportunidade. A partir do momento que um governo como o dos Estados Unidos encara o PCC como organização terrorista, e é de fato o que eles são, fica mais fácil, fica aberta a cooperação para que a gente possa integrar inteligência, para que a gente possa trazer recursos financeiros, para que a gente possa fazer um combate ainda mais efetivo”, declarou.

Após a declaração, Tarcísio encerrou a entrevista e não detalhou de que forma essa cooperação poderia ocorrer.

Debate nos EUA sobre terrorismo

Em nota divulgada na terça-feira (10), o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou considerar PCC e Comando Vermelho ameaças significativas à segurança regional devido ao envolvimento com tráfico de drogas, violência e crime transnacional. Segundo o UOL, autoridades em Washington já teriam decidido classificar as duas facções brasileiras como organizações terroristas.

Especialistas e pessoas que acompanham o tema apontam possíveis riscos associados à mudança de classificação, incluindo impactos na economia brasileira e na competitividade do país no cenário internacional.

Reação do governo Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem realizado reuniões desde segunda-feira (9) para discutir alternativas à proposta americana. De acordo com aliados do presidente, a classificação poderia abrir brechas legais para intervenções dos Estados Unidos em território brasileiro.

O governo também teme que o tema seja explorado politicamente por adversários e busca definir uma estratégia de comunicação para explicar a resistência à proposta.

Entre as alternativas apresentadas por autoridades brasileiras está a ampliação da cooperação bilateral no combate ao crime organizado. Integrantes do governo Trump, no entanto, consideram que a iniciativa não seria suficiente.

Um conselheiro do presidente estadunidense afirmou à Folha de S.Paulo que, na avaliação de integrantes da administração dos Estados Unidos, Lula estaria atuando para proteger as facções.

Discussão política e econômica no Brasil

A discussão sobre classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas ocorre nos Estados Unidos desde o ano passado. Dentro do Departamento de Estado, órgão equivalente ao Ministério das Relações Exteriores, há setores que defendem aplicar às facções brasileiras o mesmo enquadramento dado a grupos do crime organizado em outros países da América Latina, como o Cartel de Jalisco, no México.

O debate ganhou força em 2025 após a atuação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) nos Estados Unidos.

Outra preocupação envolve o interesse do governo estadunidense nas transações financeiras feitas por meio do Pix. Há receio de que autoridades dos Estados Unidos tentem ampliar o controle dessas operações sob o argumento de que o sistema pode ser utilizado pelo crime organizado.

Empresas de cartão de crédito dos EUA são críticas ao sistema de pagamentos instantâneos desenvolvido pelo Banco Central do Brasil.

No Congresso Nacional, propostas que buscavam equiparar facções criminosas ao terrorismo também enfrentaram resistência. Em novembro do ano passado, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), barrou de ofício uma proposta nesse sentido.

A decisão foi anunciada em plenário durante a discussão do chamado PL Antifacção, que tinha como relator o deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP), ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo e aliado político de Tarcísio de Freitas.

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