“Tarcísio é submisso ao Trump”, diz Haddad
Ex-ministro diz que governador apoiou tarifaço, que prejudicou a economia de São Paulo
247 - O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), criticou o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao afirmar que ele segue posições do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e que teria apoiado medidas prejudiciais à economia paulista. As declarações foram dadas em entrevista ao portal Metrópoles, na qual o petista também abordou temas como segurança pública e atuação do governo estadual.
Haddad foi questionado sobre o apoio de Tarcísio à proposta do governo norte-americano de classificar facções criminosas brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC), como organizações terroristas. O ex-ministro respondeu com críticas diretas ao governador.
“O Tarcísio vai apoiar o Trump em qualquer coisa. Porque ele é submisso ao Trump. Ele não tem opinião própria e nem tamanho para dizer para o Trump ‘você está errado nisso’. Ele apoiou o tarifaço contra a economia paulista. A economia que mais sofreu com o tarifaço por alguns meses foi a de São Paulo, e ele estava com o chapeuzinho do MAGA (Make American Great Again), enquanto São Paulo ficava pequeno, crescia menos, gerava menos emprego”, afirmou Haddad.
Críticas ao alinhamento internacional
Na entrevista, Haddad intensificou as críticas ao posicionamento do governador em relação às políticas externas dos Estados Unidos. Para o petista, Tarcísio tende a apoiar automaticamente decisões do governo norte-americano.
“Então, é óbvio que ele vai apoiar. Se (o Trump) falar que (o PCC) é alienígena, ele [Tarcísio] também vai achar. Vai dizer ‘o PCC é de outro planeta, conforme o Trump está dizendo’”, declarou.
Haddad também sugeriu que o comportamento político do governador estaria ligado a uma base de apoio específica. “Se ele falar diferente, vão começar a desconfiar dele. Em grande medida, [Tarcísio] não é candidato à Presidência por conta de pequenos gestos que ele fez para parecer menos pior que o Bolsonaro. Já foi o suficiente para o Bolsonaro descartar ele para a Presidência e botar o filho”, disse.
Questionamentos sobre segurança pública
Além das críticas políticas, Haddad comentou a exoneração do ex-comandante da Polícia Militar de São Paulo, José Augusto Coutinho, mencionando investigações que apontam possível relação de policiais com integrantes do PCC.
O petista questionou a postura do governador diante do caso. “Um comandante da PM é exonerado, e aí o cara fala ‘fez um grande trabalho’ e na semana seguinte se descobre que tem pacto com crime organizado? Como pode um governador fazer um negócio desse? Ele ficou com vergonha de ter escolhido mal”, afirmou.
Propostas para enfrentar o PCC
Ao tratar de possíveis medidas para combater o crime organizado, Haddad destacou a importância de ouvir especialistas que atuam diretamente nas investigações. Ele citou o promotor Lincoln Gakiya, do Ministério Público de São Paulo.
“Foi ele que descobriu a conexão do ex-comandante com o PCC, ele que por trás das investigações, porque é o cara que mais entende disso. Será que ele não precisa ser um pouco mais ouvido?”, disse o pré-candidato.


