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STF perdeu um aliado no combate à corrupção, diz Haddad sobre rejeição de Messias

Ex-ministro destaca atuação de Messias no enfrentamento ao crime organizado e à corrupção

Fernando Haddad (Foto: Diogo Zacarias/MF)

247 - O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) afirmou nesta quinta-feira (30/4) que a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) representa uma perda relevante para o combate ao crime organizado e à corrupção no país. Segundo ele, o resultado da votação no Senado deixou um “gosto amargo” diante do papel desempenhado pelo atual advogado-geral da União.

Em entrevista ao portal Metrópoles, Haddad destacou a atuação de Messias em ações recentes voltadas ao enfrentamento de irregularidades e esquemas ilícitos, ressaltando a importância da Advocacia-Geral da União (AGU) nesse processo.

“O Messias tem tido uma participação essencial no combate à corrupção. O Messias deu sustentação ao Ministério da Fazenda acabar com alguns esquemas de corrupção de anos como o caso da da Reag, o caso do Master, o caso da Refit, grandes esquemas de corrupção, como o caso do INSS, foi desbaratado também nesse governo. Esses casos todos contaram com uma Advocacia Geral da União de prontidão para ajudar os ministérios a fazer o que tinha que ser feito, agir contra o crime organizado, agir contra à corrupção”, declarou Haddad.

Questionado sobre a possibilidade de o combate à corrupção ter influenciado a derrota no Senado, o ex-ministro disse esperar que esse não tenha sido o fator determinante, mas avaliou que o impacto institucional é evidente.

“Espero que não, mas o combate à corrupção e ao crime organizado perdeu um aliado no Supremo”, afirmou.

Haddad também mencionou iniciativas implementadas durante sua passagem pelo Ministério da Fazenda, incluindo a criação de uma estrutura na Receita Federal voltada ao enfrentamento do crime organizado, com atuação integrada à AGU.

“Nós instalamos uma delegacia de combate ao crime organizado na Receita Federal. Nós estamos organizados com a liderança do Messias inclusive para fazer esse trabalho de combate à corrupção. Nós estamos fazendo e nós teríamos um reforço no Supremo Tribunal Federal com alguém com um olhar de estado porque ele não vem de escritório privado, ele é um advogado público”, disse.

Na avaliação do petista, a rejeição da indicação não deve ser interpretada como uma vitória política da oposição, mas como um movimento que pode fragilizar instituições.

Ele afirmou que o resultado representa um enfraquecimento tanto do STF quanto do sistema institucional como um todo.

A votação ocorreu na noite de quarta-feira (29/4), quando o nome de Jorge Messias recebeu 42 votos contrários e 34 favoráveis no Senado, número insuficiente para aprovação.

Fernando Haddad deixou o Ministério da Fazenda em março para se dedicar à pré-campanha ao governo de São Paulo, disputa na qual deve enfrentar o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

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