Moraes e Alcolumbre jantaram juntos na véspera de derrota de Messias no Senado
Encontro gerou desconfiança de Lula sobre uma possível articulação política para barrar indicação ao STF
247 - Um jantar realizado na residência do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, com a presença do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, na véspera da votação que rejeitou a indicação de Jorge Messias à Corte, provocou reação no Planalto e alimentou desconfianças do presidente Lula sobre possível articulação política. As informações são da jornalista Mônica Bérgamo, da Folha de São Paulo.
O encontro ocorreu na terça-feira (28), um dia antes da votação em que Messias foi derrotado no Senado por 42 votos contrários e 34 favoráveis. O presidente ficou contrariado e demonstrou indignação ao tomar conhecimento da reunião. Apesar disso, o jantar não teria sido organizado com o objetivo de discutir a votação no Senado.
Evento social reuniu autoridades e aliados
O encontro foi promovido por Moraes para homenagear o procurador e ex-secretário Nacional de Justiça Mário Luiz Sarrubbo, com quem o ministro tem trajetória no Ministério Público de São Paulo.
Além de promotores e procuradores, participaram da reunião figuras próximas ao governo, como o ministro do STF Cristiano Zanin, o diretor-geral da Polícia Federal Andrei Rodrigues e o ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski. Também estiveram presentes o ministro Gilmar Mendes, que apoiava a indicação de Messias, e o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG).
De acordo com um dos convidados, o nome de Jorge Messias foi mencionado apenas em conversas pontuais, e o encontro teve caráter majoritariamente informal, com discussões sobre temas diversos. A mesma fonte afirmou que não faria sentido reunir tantas pessoas, inclusive apoiadores da indicação, para qualquer tipo de articulação política.
Versões divergentes sobre bastidores
Por outro lado, interlocutores do presidente relataram que Lula recebeu informações de que, durante o jantar, Davi Alcolumbre teria afirmado, em conversas restritas, já contar com cerca de 50 votos para barrar a indicação de Messias no plenário.
Ainda segundo esses relatos, a posição teria sinalizado previamente o resultado da votação, consolidando o cenário de derrota do advogado-geral da União.
Outra fonte presente no encontro, no entanto, contestou essa interpretação e afirmou que a rejeição de Messias já estava definida antes mesmo da realização do jantar. De acordo com essa versão, a escolha da data foi circunstancial, já que Sarrubbo estaria em Brasília para participar, no dia seguinte, de uma reunião do Conselho Nacional de Segurança Pública e Defesa Social.


