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Aliados de Lula defendem indicação de mulher ao STF para emparedar Alcolumbre e oposição

A rejeição da indicação de uma mulher à Corte poderia gerar grande desgaste político em pleno ano eleitoral

Supremo Tribunal Federal (Foto: Antonio Augusto/STF)

247 - O governo avalia indicar uma mulher para a próxima vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) como parte de uma estratégia política voltada a pressionar o Senado e fortalecer sua narrativa eleitoral. A movimentação busca, ao mesmo tempo, criar um cenário de confronto institucional e ampliar o diálogo com o eleitorado feminino, em meio ao atual contexto político.

De acordo com informações publicadas pelo blog da jornalista Julia Duailibi, no G1, aliados do governo defendem uma postura mais incisiva após episódios recentes de desgaste no Congresso. Esse grupo entende que o Planalto teve melhor desempenho quando adotou um discurso mais duro, atribuindo ao Legislativo a responsabilidade por travar medidas consideradas importantes para a população.

Nesse cenário, a indicação de uma mulher ao STF ganha força por seu potencial simbólico e político. Interlocutores ouvidos avaliam que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, dificilmente pautaria a sabatina de um novo indicado antes das eleições. Com isso, o governo poderia sustentar o argumento de que cumpriu sua parte ao indicar o nome, mas que o processo foi bloqueado pelo Senado.

A estratégia também se conecta diretamente ao ambiente eleitoral. A avaliação de aliados é que Flávio Bolsonaro, apontado como principal adversário do presidente, enfrenta maior resistência entre o eleitorado feminino. Assim, a escolha de uma mulher para o STF poderia reforçar o discurso político do governo nesse segmento.

A lógica é construir uma narrativa de confronto direto: ao indicar uma mulher e não ver o nome avançar no Senado, o governo passaria a responsabilizar Alcolumbre e seus aliados, sugerindo que estariam atuando contra a pauta feminina e contra o próprio Executivo. Esse tipo de abordagem já foi utilizado anteriormente, como no caso das disputas envolvendo o IOF.

Além disso, o cálculo político leva em conta o cenário interno do Senado. Há a percepção de que Alcolumbre só adotaria uma postura de enfrentamento mais intenso caso estivesse convencido de uma possível derrota do governo nas eleições. Essa leitura, segundo interlocutores, tem ganhado espaço em Brasília.

O movimento também estaria ligado às articulações futuras dentro da Casa. A disputa pela presidência do Senado em 2027 já começa a influenciar decisões atuais. Caso a oposição vença a eleição presidencial, o nome do senador Rogério Marinho aparece como possível candidato ao comando da Casa.

Segundo relatos, foi o próprio Marinho quem afirmou que a oposição solicitou a Alcolumbre que evite pautar indicações do governo para o STF até depois das eleições, o que reforça o ambiente de disputa política em torno da próxima vaga na Corte.

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