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"Congresso decide hoje o futuro do Brasil: democracia ou golpe", alerta Lindbergh

Deputado critica “acordão” que envolve rejeição de Messias para o STF, blindagem do caso Master e derrubada do veto ao PL da Dosimetria

Lindbergh Farias (Foto: Kayo Magalhães/Agência Câmara)

247 - A votação no Congresso Nacional nesta quinta-feira (30) sobre o veto do presidente Lula (PT) ao projeto que reduz penas de condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023 ocorre em meio a fortes críticas do deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), que aponta uma articulação política para derrubar a decisão presidencial e beneficiar investigados. Segundo ele, o movimento integra um acordo mais amplo com impactos sobre o sistema de justiça e a responsabilização de envolvidos nos ataques às sedes dos Três Poderes.

Em publicação nas redes sociais, Lindbergh afirmou que há uma continuidade de negociações políticas que, em sua avaliação, favorecem a impunidade. “O acordo da impunidade continua. A primeira etapa da aliança entre o bolsonarismo e o Centrão foi concluída com a rejeição de Jorge Messias no Senado. Hoje, essa mesma articulação avança para a segunda etapa do acordão: blindar o andar de cima no escândalo de Vorcaro, proteger seus tentáculos na cúpula política e reduzir penas para fabricar impunidade”, escreveu.

Votação e contexto político

O Congresso analisa a possibilidade de derrubar o veto do presidente Lula ao chamado PL da Dosimetria, aprovado em dezembro do ano passado. Caso a decisão presidencial seja revertida, a proposta poderá entrar em vigor e reduzir penas de condenados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023. A estimativa é de que ao menos 280 pessoas possam ser beneficiadas, incluindo Jair Bolsonaro (PL).

A sessão ocorre um dia após o Senado rejeitar a indicação de Jorge Messias, atual advogado-geral da União, para o Supremo Tribunal Federal, em uma derrota para o governo federal no parlamento.

Críticas ao acordo político

Na mesma publicação, Lindbergh também afirmou que há uma tentativa de evitar investigações relacionadas ao Banco Master. “O PL vai silenciar sobre o Banco Master e não irá exigir a leitura do requerimento de CPMI. A sessão de hoje tem como objetivo cumprir a parte final do acordo e derrubar o veto do presidente Lula no PL da Dosimetria”, declarou.

O deputado criticou ainda a justificativa de caráter humanitário para a redução das penas. “Querem vender a manobra como ‘justiça humanitária’, mas o objetivo político é livrar Jair Bolsonaro e os generais da trama golpista”, afirmou.

Alerta sobre impactos da decisão

Lindbergh também alertou para possíveis efeitos mais amplos da medida. “Para salvar os seus, aceitam abrir brechas que podem beneficiar líderes de organização criminosa, milicianos, chefes de facção, estupradores, feminicidas e pedófilos. É a impunidade generalizada como projeto de poder”, disse.

Ao final, o parlamentar classificou a votação como decisiva para o país. “Hoje, o Congresso Nacional decidirá o futuro do Brasil: democracia ou golpe, Constituição ou vale-tudo, punição ou impunidade?”, concluiu.


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