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Tarcísio veta projeto que condicionava licitações ao respeito aos direitos humanos

Decisão de Tarcísio de Freitas derruba proposta aprovada na Alesp que previa critérios sociais em contratos públicos estaduais

Tarcísio veta projeto que condicionava licitações ao respeito aos direitos humanos (Foto: PAULO GUERETA / GOVSP)

247 - O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), vetou integralmente um projeto de lei aprovado pela Assembleia Legislativa do Estado (Alesp) que estabelecia a exigência de comprovação de respeito aos direitos humanos por empresas interessadas em participar de licitações estaduais. A medida barrada ampliava os critérios de habilitação para contratos públicos e buscava incorporar parâmetros de responsabilidade social às contratações do governo paulista.A informação foi divulgada pela coluna da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo. O veto foi publicado no Diário Oficial do Estado em 23 de janeiro e recaiu sobre proposta de autoria do deputado estadual Emidio de Souza (PT), aprovada pelo plenário da Alesp em dezembro de 2025.

O texto vetado previa que empresas interessadas em firmar contratos com o poder público estadual apresentassem normas internas voltadas à garantia de direitos, incluindo igualdade salarial entre homens e mulheres e políticas de prevenção e combate a práticas racistas, misóginas e homofóbicas no ambiente de trabalho. A proposta foi apresentada por seus defensores como um mecanismo para alinhar as compras públicas a princípios de direitos humanos e responsabilidade social.

Ao justificar o veto, Tarcísio de Freitas sustentou que o projeto é inconstitucional por criar um novo requisito de habilitação em licitações, matéria que, segundo ele, é de competência privativa da União. O governador citou o artigo 22 da Constituição Federal e argumentou que as regras gerais sobre licitações já estão previstas na Lei federal nº 14.133/2021, a nova Lei de Licitações, que não contempla a exigência de “idoneidade social” entre os critérios para participação em certames públicos.

Durante a tramitação do projeto na Alesp, o deputado Emidio de Souza defendeu a iniciativa como uma forma de ampliar o compromisso do Estado com a promoção da igualdade e do respeito à diversidade nas relações contratuais. Para ele, o poder público não deveria se dissociar da conduta social das empresas com as quais mantém vínculos.

“O poder público não pode fechar os olhos para a conduta social das empresas com as quais se relaciona”, afirmou o parlamentar. Segundo Emidio, a exigência de idoneidade social reforçaria o papel do Estado na promoção de valores ligados aos direitos humanos.

Com a decisão do governador, o projeto retorna agora à Assembleia Legislativa. Os deputados estaduais poderão manter o veto ou derrubá-lo em votação em plenário, o que exigirá o apoio da maioria absoluta dos parlamentares.

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