Witzel lança pré-candidatura ao governo do RJ após fim da inelegibilidade
Ex-governador retorna ao cenário eleitoral cinco anos após perder o mandato
247 - A cinco anos de seu impeachment, o ex-governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel anunciou, nesta segunda-feira (8), sua pré-candidatura ao comando do estado pelo partido Democratas. O retorno à disputa eleitoral ocorre após o término do período de inelegibilidade imposto em decorrência de sua destituição do cargo em 2021. As informações são da CNN Brasil.
Witzel divulgou comunicado no qual afirmou que sua volta à política ocorre diante do que considera uma necessidade de mudança no cenário estadual. "Eles me derrubaram, mas não me quebraram. Hoje, oficializamos a minha pré-candidatura ao governo do Rio de Janeiro pelo Partido Democrata (sic) [Democratas]. Não por vaidade, mas porque o povo fluminense merece mais do que medo, abandono e omissão", declarou.
Entre as propostas apresentadas para uma eventual gestão, o ex-governador afirmou que pretende adotar uma política de segurança baseada na tolerância zero ao crime. Também defendeu que criminosos armados com fuzis sejam enquadrados como terroristas e anunciou a intenção de criar uma Secretaria Estadual da Capelania.
Witzel também voltou a comentar o processo que resultou em sua saída do cargo. No comunicado divulgado por sua pré-campanha, ele classificou o impeachment como uma tentativa de impedir sua atuação política. "O sistema tentou me calar. Mas juiz conhece a lei. Militar conhece a missão. E Deus conhece o meu coração. Estamos de volta. E desta vez, o Rio não vai nos parar no meio do caminho", afirmou.
Entenda o impeachment
Wilson Witzel perdeu definitivamente o mandato de governador do Rio de Janeiro em 30 de abril de 2021, após a conclusão do processo de impeachment. Além da destituição do cargo, ele ficou inelegível por cinco anos.
O pedido foi protocolado em maio de 2020 pelos então deputados estaduais Luiz Paulo, que na época integrava o PSDB e atualmente está no Cidadania, e Lucinha, então filiada ao PSDB. A iniciativa teve como base informações obtidas pela Operação Placebo, da Polícia Federal, que investigava suspeitas de irregularidades em contratos da área da saúde.
Antes do julgamento político ser concluído, Witzel já havia sido afastado do cargo por decisão do ministro Benedito Gonçalves, relator das investigações no Superior Tribunal de Justiça. Um dos principais elementos da apuração foi a delação do ex-secretário estadual de Saúde Edmar Santos. O depoimento apontou a existência de um esquema de desvios de recursos e atribuiu ao então governador participação nas irregularidades investigadas.
De acordo com denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal, teria sido estruturada uma organização criminosa dentro da administração estadual, formada por grupos que disputavam influência sobre áreas estratégicas do governo mediante pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos.
Segundo a acusação, empresários ligados a esses grupos buscavam exercer controle sobre secretarias estaduais, especialmente na área da saúde, com o objetivo de beneficiar empresas contratadas pelo governo.



