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Zema deixa governo de MG por disputa presidencial

Saída ocorre antes do prazo eleitoral e amplia disputa na direita em Minas

Romeu Zema (Foto: Gil Leonardi/Imprensa MG)

247 - Romeu Zema (Novo) oficializou neste domingo (22) sua renúncia ao cargo de governador de Minas Gerais, transferindo o comando do estado ao vice, Mateus Simões (PSD). A decisão ocorre a menos de duas semanas do prazo de desincompatibilização exigido pela legislação eleitoral para quem pretende disputar a Presidência da República, objetivo reiterado pelo ex-governador.

Segundo o jornal O Globo, a cerimônia de transição foi realizada em duas etapas: na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), onde Simões prestou juramento, e no Palácio da Liberdade, com a entrega do Colar da Inconfidência ao novo chefe do Executivo estadual.

Simões assume com discurso de equilíbrio institucional

Em seu primeiro pronunciamento como governador, Mateus Simões destacou a necessidade de preservar o equilíbrio entre os Poderes e reforçou o compromisso com a autonomia institucional.

“Entendo que é necessário promover o exercício pleno das atribuições constitucionais do Executivo ao mesmo tempo em que mantenho em mira as responsabilidades e limites de cada outra esfera de Poder. Só assim a lógica dos freios e contrapesos será de equilíbrio, e não de subserviência, de autonomia, e não de antagonismo”, afirmou.

O novo governador também anunciou que pretende percorrer o estado nos próximos meses e levar a sede administrativa para diferentes regiões, a partir do dia 26. “Minas Gerais é muito grande para ser compreendida à distância”, declarou.

Histórico de tensão com o Judiciário

Antes de assumir o comando do estado, Simões já havia demonstrado posições de confronto com decisões judiciais. Em fevereiro, afirmou que não cumpriria determinação do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), que suspendeu o programa de escolas cívico-militares após parecer do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG).

Na ocasião, declarou: “Podem se preparar para mandar me prender, porque eu vou abrir colégios cívico-militares assim que eu entrar no exercício como governador do estado de Minas, dentro de menos de 60 dias”.

Zema intensifica pré-campanha ao Planalto

Com a saída do governo, Zema passa a se dedicar integralmente à pré-campanha presidencial, anunciada há cerca de sete meses. Apesar de manter a intenção de disputar o cargo como cabeça de chapa, seu nome também aparece nos bastidores como possível integrante de uma aliança com o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Segundo a reportagem, a senadora Tereza Cristina (PP-MS), cotada para compor a chapa, já indicou que prefere permanecer no Senado. Em entrevista ao programa “Frente a Frente”, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que a decisão sobre o vice caberá a Flávio Bolsonaro e a Jair Bolsonaro.

Disputa interna fragmenta direita em Minas

A mudança no comando do estado ocorre em meio a disputas internas entre partidos da direita mineira. Aliados avaliam que Simões tende a ganhar projeção com a nova função, mas enfrentará dificuldades para consolidar alianças.

Um dos focos de tensão envolve a escolha do candidato a vice em uma eventual chapa. O PSD indicou que a vaga não está automaticamente garantida ao Novo, contrariando acordos anteriores. Em resposta, integrantes da direção nacional do partido de Zema passaram a cogitar apoiar outro nome. O cenário também favorece o avanço da pré-candidatura do senador Cleitinho Azevedo, apoiado pelo Republicanos para disputar o governo estadual.

Articulações e aproximações políticas

As movimentações políticas recentes evidenciam a fragmentação do campo conservador em Minas. Simões chegou a criticar o Republicanos durante agenda em Uberlândia, citando investigações envolvendo o deputado federal Euclydes Pettersen (MG).

Apesar das divergências, buscou manter diálogo com possíveis adversários. “Respeito muito a trajetória de Cleitinho”, afirmou, acrescentando que espera que não estejam em lados opostos.

Cleitinho respondeu em tom conciliador: “Respeito muito o Mateus e jamais vou baixar o nível. Concordo com o que ele disse, temos que estar unidos e, se depender de mim, estarei sempre à disposição”.

Na Assembleia Legislativa, parte da bancada do PL defende apoio ao nome de Cleitinho, evidenciando a divisão interna que marca o início da corrida eleitoral em Minas Gerais após a saída de Zema do governo.

Enquanto isso, o deputado Nikolas Ferreira (PL) tem reforçado sua estratégia de reeleição e ampliado sua atuação política no estado, participando de agendas ao lado de Simões e articulando alianças próprias.

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