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Zema diz que é o único candidato ao Planalto que “bate no STF”

Governador de Minas reafirma candidatura presidencial e diz que não recebeu convite para ser vice de Flávio Bolsonaro

Romeu Zema (Foto: Dirceu Aurélio / Imprensa MG )

247 - O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), afirmou que pretende disputar a Presidência da República destacando-se entre os nomes da direita por adotar uma postura mais dura contra o Supremo Tribunal Federal (STF). Em entrevista concedida nesta sexta-feira (13), o chefe do Executivo mineiro disse que possui diferenciais em relação a outros possíveis candidatos no campo conservador.

A declaração foi dada ao programa Café com Política, exibido no canal do jornal O Tempo no YouTube. Durante a entrevista, realizada na Cidade Administrativa — sede do governo mineiro —, Zema sustentou que sua postura crítica ao STF e a independência política seriam fatores que o distinguem no cenário eleitoral.

Ao comentar o ambiente político e a disputa presidencial prevista para outubro, Zema afirmou: “Temos propostas que nenhum outro candidato tem. Quem é que está batendo nesses absurdos do Supremo Tribunal Federal? Qual candidato está batendo? Acho que sou só eu. Eu não tenho rabo preso com ninguém. Então, tenho certeza de que posso ajudar a oxigenar o sistema mais do que qualquer outro.”

O governador também minimizou levantamentos eleitorais que indicam baixo desempenho de sua possível candidatura. Segundo ele, as pesquisas neste momento não são determinantes e o cenário pode se transformar ao longo da campanha. Como exemplo, Zema relembrou sua primeira eleição para o governo mineiro, em 2018.

“Há oito anos, neste mesmo mês de março, eu estava pontuando com 1% ou 2%. Eu sei muito bem como as coisas mudam durante o processo eleitoral. Tem muita imprevisibilidade”, afirmou.

Defesa do Partido Novo e críticas a outras legendas

Na entrevista, o governador ressaltou o papel do Partido Novo em sua trajetória política e elogiou a coerência da legenda. Para Zema, o posicionamento do partido no Congresso seria um diferencial em relação a outras siglas.

“Eu venho de um partido pequeno, que é totalmente coerente. Se você olhar as votações lá na Câmara Federal, vai ver que o Novo vota 100% com determinadas pautas”, disse.

Ao tratar da relação com o STF, o governador sugeriu que a composição partidária de alguns políticos poderia explicar a cautela de certos nomes da direita em criticar decisões da Corte. “Com relação a essa questão do STF, estou sendo totalmente incisivo e vejo que tem muita gente aí que não opina e, na minha opinião, deveria opinar. Por que não opina?”, questionou.

Cenário da direita e estratégia eleitoral

Além de Zema, outros nomes ligados ao campo conservador aparecem como possíveis candidatos à Presidência. Entre eles estão o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado em pesquisas como um dos mais competitivos da direita, e os governadores Ronaldo Caiado (PSD), de Goiás, e Eduardo Leite (PSD), do Rio Grande do Sul.

Zema foi oficializado como pré-candidato do Partido Novo em agosto do ano passado, durante evento realizado em São Paulo. À época, lideranças do campo conservador defendiam a estratégia de lançar diversos nomes no primeiro turno e, posteriormente, unir forças em torno de um único candidato para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno.

Esse movimento ganhou força após decisões do STF que resultaram na prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, considerado por aliados o nome mais competitivo para representar a direita nacional.

Possível chapa com Flávio Bolsonaro

Questionado sobre a possibilidade de integrar uma chapa encabeçada por Flávio Bolsonaro, Romeu Zema afirmou que não recebeu convite e indicou que sua prioridade segue sendo a candidatura própria.

“Não houve convite nesse sentido. A nossa disposição é continuar com a candidatura até o final”, declarou.

O governador também comentou negociações políticas em Minas Gerais e reiterou que permanece válido o acordo firmado com o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab. Pelo entendimento, o PSD apoiaria o vice-governador Mateus Simões (PSD) na disputa pelo governo mineiro, enquanto Zema indicaria o candidato a vice na chapa estadual.

Zema permanece no comando do governo de Minas Gerais até 22 de março, quando deve transferir o cargo ao vice Mateus Simões. A partir daí, o governador se dedicará à articulação política e à consolidação de sua candidatura ao Palácio do Planalto.

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