Cachorro é encontrado morto em Itajaí, e três adolescentes são apreendidos por suspeita de maus-tratos
Caso em Santa Catarina ocorre semanas após a repercussão da morte do cão Orelha, em Florianópolis, que segue sob investigação
247 - Um cachorro foi encontrado morto na quinta-feira (12) em Itajaí, no Litoral Norte de Santa Catarina, e três adolescentes foram apreendidos sob suspeita de envolvimento no caso. Testemunhas relataram à Guarda Municipal que os jovens teriam tentado arremessar o animal em um rio e, depois, o levado até um prédio abandonado, de onde ele teria sido lançado, sendo encontrado já sem vida pelas equipes que atenderam a ocorrência. A apuração aponta que quatro adolescentes teriam participado do episódio, mas apenas três foram localizados e encaminhados à delegacia, de acordo com o jornal O Globo.
Segundo relatos prestados às autoridades, o grupo teria tentado jogar o cachorro no rio, mas não conseguiu. Em seguida, o animal foi levado até um imóvel abandonado próximo, onde teria sido atirado do alto da estrutura. O corpo do cão foi recolhido e encaminhado pela Guarda Municipal até a delegacia para registro da ocorrência.
O vice-prefeito de Itajaí, Rubens Angioletti, afirmou que a Guarda Municipal, por meio da Guarda Ambiental, e a Polícia Militar foram acionadas para atender o caso no bairro da Murta. Segundo ele, a ocorrência foi confirmada após informações recebidas no local, que indicavam a movimentação dos adolescentes com o animal.
Angioletti comentou o episódio em publicação nas redes sociais e demonstrou indignação com a violência contra o cachorro. "Um serzinho amoroso, como é um cachorro, um serzinho inocente, vem para você fazer carinho, e os caras fazem uma coisa dessa. São menores de idade. Se bobear, vão sair da delegacia primeiro que o tutor do animal", disse o vice-prefeito, que defendeu a diminuição da maioridade penal.
A postagem do vice-prefeito inclui imagens do momento em que o corpo do cachorro é recolhido pelos agentes municipais, com alerta de conteúdo sensível.
Veterinária aponta ferimentos compatíveis com queda
Segundo informações divulgadas pelo G1, uma médica-veterinária do Instituto Itajaí Sustentável (INIS) realizou uma avaliação preliminar ainda no local. A profissional constatou escoriações na boca, no queixo e no palato do animal, além de sangramento. Os ferimentos, segundo a análise inicial, seriam compatíveis com uma possível queda.
O caso segue agora sob investigação, enquanto os adolescentes foram apresentados à polícia para os procedimentos legais relacionados à suspeita de maus-tratos.
Crime em Itajaí ocorre após repercussão do caso do cão Orelha
O episódio em Itajaí ocorre poucas semanas depois da morte do cão Orelha, registrada em Florianópolis, também em Santa Catarina. O caso gerou ampla comoção e permanece em apuração pelas autoridades.
O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) solicitou a exumação do corpo do animal para perícia e pediu novos depoimentos para aprofundar as investigações. Em nota, o órgão afirmou haver “necessidade de complementação das investigações” e estabeleceu prazo de 20 dias para que diligências fossem cumpridas.
A Polícia Civil catarinense apontou um adolescente como responsável pelas agressões contra Orelha e solicitou a internação do jovem, medida equivalente à prisão no sistema adulto. A defesa do adolescente, no entanto, nega as acusações. Além disso, três adultos foram indiciados por coação a testemunha no mesmo caso.
MP divide apuração do caso Orelha em duas frentes
Duas promotorias diferentes acompanham o caso em Florianópolis. A 10ª Promotoria de Justiça, responsável pela área da Infância e Juventude, analisa quatro boletins de ocorrência circunstanciados contra adolescentes e solicitou que a Polícia Civil inclua no processo vídeos relacionados a atos infracionais atribuídos aos suspeitos e registros envolvendo cães da região.
O órgão também pediu a exumação do corpo do cão, caso seja viável, para realização de perícia direta, com o objetivo de esclarecer a dinâmica das agressões.
Já a 2ª Promotoria de Justiça da Capital, vinculada à área criminal, requisitou esclarecimentos adicionais para verificar se houve coação no curso do processo e solicitou oitiva de novas testemunhas. O MP destacou que o inquérito ainda se encontra em fase investigativa.
Polícia Civil afirma que cumprirá diligências com rapidez
Em nota, a Polícia Civil de Santa Catarina informou que recebeu os pedidos de diligências apresentados pelo Ministério Público e garantiu que todas as solicitações serão atendidas com celeridade. O objetivo, segundo a corporação, é reunir elementos para que a denúncia dos envolvidos possa avançar à Justiça junto com as provas já obtidas durante a apuração.
Laudo aponta pancada contundente na cabeça do cão Orelha
De acordo com laudos da Polícia Científica, Orelha sofreu uma pancada contundente na cabeça, descrita como compatível com golpe provocado por chute ou por algum objeto rígido, como pedaço de madeira ou garrafa.
A Polícia Civil apurou que o ataque teria ocorrido na madrugada do dia 4 de janeiro, por volta das 5h30. No dia seguinte, moradores levaram o cão para atendimento veterinário, mas ele não resistiu e morreu.
Orelha era um cão comunitário e era cuidado por moradores da Praia Brava, área turística de Florianópolis. A polícia identificou como evidência a roupa usada pelo autor do crime, registrada em filmagens. Além disso, a corporação afirmou que um software francês analisou a localização do suspeito no período do ataque fatal.


