Caso do cão Orelha: ameaças seguem mesmo após jovens serem inocentados
O pai de um dos adolescentes afirmou ter recebido mensagens como ‘vou te matar’ e ‘sua família acabou’
247 - O pai de um dos três jovens inocentados no caso envolvendo a morte do cão Orelha afirmou que o desfecho das investigações não trouxe tranquilidade para a família e que as ameaças continuam se acumulando pelas redes sociais. Segundo ele, mesmo após a exclusão do filho entre os suspeitos, a perseguição virtual se intensificou.
Em entrevista publicada pela Folha de S.Paulo, o homem relatou que desconhecidos usam transferências via Pix como forma de intimidação, enviando valores simbólicos para anexar mensagens violentas. “As pessoas fazem Pix de um centavo para ficar mandando mensagem, ‘vou te matar’, ‘sua família acabou’, ‘a gente vai pegar vocês’”, contou.
A mãe de um dos jovens também declarou viver sob constante medo, relatando que a família enfrenta um volume diário de ataques. De acordo com ela, são pelo menos 30 ameaças por dia recebidas por meio de redes sociais e aplicativos de mensagens. O caso ganhou repercussão nacional após denúncias de agressões contra o cão Orelha na Praia Brava, em Florianópolis (SC). As agressões teriam ocorrido na madrugada de 4 de janeiro, com duração aproximada de 35 minutos, segundo informações da investigação.
Inicialmente, a Polícia Civil de Santa Catarina indiciou um adolescente entre quatro jovens apontados como suspeitos do crime. No entanto, três deles foram posteriormente inocentados, embora a repercussão pública já tivesse gerado consequências graves para as famílias envolvidas.
Conforme os relatos, imagens dos adolescentes que chegaram a ser considerados suspeitos foram amplamente compartilhadas nas redes sociais. Além disso, informações pessoais como números de documentos, endereços, contas bancárias e placas de veículos também foram expostas, ampliando o risco de violência e perseguição.
O pai afirmou que, mesmo com notícias apontando a inexistência de culpa do filho, a pressão popular segue alimentada por versões disseminadas online. “Mesmo com todas as notícias no sentido contrário de qualquer culpa em relação a ele, a internet comprou uma versão que adotou como verdade e parece que, nem se os anjos descerem na Terra para falar que não foi ele, ela vai aceitar”, disse.
O caso do cão Orelha segue como um exemplo de como acusações iniciais e exposições indevidas podem desencadear campanhas de ataques virtuais, mesmo após mudanças no rumo das investigações oficiais.


