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Gleisi diz que Paraná não é estado de direita: “eleitorado disputável”

Pré-candidata ao Senado afirma que PT retomou força no estado e critica legado da Lava Jato e aliados de Moro

Gleisi Hoffmann (Foto: Gil Ferreira/SRI-PR)
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247 - A ex-ministra das Relações Institucionais e pré-candidata ao Senado pelo PT, Gleisi Hoffmann, afirmou que o Paraná não pode ser definido como um estado exclusivamente de direita e avaliou que o eleitorado paranaense segue aberto à disputa política. As declarações foram dadas ao programa Poder e Mercado, do UOL, nesta terça-feira (20).

Segundo Gleisi, o histórico político do Paraná demonstra que forças progressistas já conquistaram espaço importante no estado em diferentes momentos, tanto em eleições municipais quanto estaduais e federais. Para ela, apesar do crescimento do bolsonarismo e do antipetismo nos últimos anos, o cenário político local permanece competitivo.

“Não parto do pressuposto de que o Paraná é um estado de direita e ponto. Um estado que elegeu Roberto Requião três vezes como governador não pode ser considerado de direita. Um estado que me elegeu senadora junto com o Requião na mesma eleição também”, declarou.

A petista também relembrou vitórias do partido em cidades estratégicas do estado e destacou disputas recentes em municípios importantes. “O PT já governou lá Maringá, Londrina, Ponta Grossa, grandes cidades. Quase ganhamos em Curitiba, Cascavel, quase ganhamos nessa última eleição em Guarapuava. Então, é um eleitorado disputável”, afirmou.

Durante a entrevista, Gleisi relacionou as dificuldades enfrentadas pelo PT no Paraná ao impacto político da Operação Lava Jato, que teve origem no estado. Ela criticou duramente a atuação do ex-juiz Sergio Moro e do ex-procurador Deltan Dallagnol, acusando ambos de promoverem perseguição política contra o partido.

“Claro que passamos por uma conjuntura difícil e isso foi muito explorado. Vamos lembrar que toda aquela farsa da Lava Jato se deu no Paraná. Sérgio Moro e Deltan Dallagnol são de lá. Isso pesou muito, mas nos reestruturamos”, disse.

Gleisi ainda citou o desempenho eleitoral do PT nas eleições de 2022 como sinal de recuperação política no estado. Segundo ela, a legenda voltou a ampliar sua representação parlamentar e recuperou espaço entre os eleitores paranaenses.

“Em 2022, elegemos cinco deputados federais pelo PT, mais um pelo PV. Foi a segunda maior bancada do estado depois do PSD, do governador Ratinho Júnior. Elegemos sete deputados estaduais. Isso mostra, sim, que o partido tem uma história e que está resgatando isso”, declarou.

A ministra também afirmou que atualmente consegue expor publicamente sua visão sobre a Lava Jato com mais espaço do que em anos anteriores. Ela disse que, durante campanhas passadas, tinha pouca oportunidade de responder às acusações feitas contra o PT.

“Temos possibilidade de debater e de discutir. Fiquei um tempo muito grande sem poder dar a minha versão e a minha opinião. Sendo candidata a deputada federal, eu era pouco ouvida sobre o que foi a farsa da Lava Jato, sobre a perseguição que tivemos, o que fizeram Moro e Dallagnol. Agora eu estou tendo essa oportunidade”, afirmou.

Na sequência, Gleisi criticou a aproximação política entre antigos adversários e novos aliados no Paraná. “É bom porque as pessoas estão vendo que esses arautos da moralidade, Dallagnol, Moro, gente que nos atirou pedra, agora está todo mundo junto com Vorcaro e o Master, o que é muito ruim. Eles têm que se explicar”, disse.

A petista também comentou o cenário nacional e avaliou que uma eventual candidatura de Flávio Bolsonaro teria perdido força política. Segundo ela, partidos que antes poderiam apoiar o senador estariam se afastando.

“Pelo que eu estou vendo dos movimentos de partidos que poderiam apoiar a candidatura dele, eles já estão se afastando porque ficou uma candidatura tóxica. Ele, ao invés de ficar fazendo propostas para o Brasil, terá que ficar se justificando porque era amigo do Vorcaro”, afirmou Gleisi Hoffmann.

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