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Governador de SC escolhe candidato a vice do Novo que já fez críticas a Carlos Bolsonaro

Decisão do bolsonarista Jorginho Mello surpreende aliados e leva MDB a discutir permanência no governo

Jorginho Mello (Foto: Roberto Zacarias/SECOM)

247 - O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), anunciou nesta quinta-feira (22) a escolha do prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), como candidato a vice-governador em sua chapa para as eleições de 2026. A decisão contrariou sinalizações feitas anteriormente pelo próprio político, que havia indicado a possibilidade de ceder a vaga ao MDB. As informações são do jornal O Globo.

O prefeito de Joinville já classificou a pré-candidatura do ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) ao Senado em Santa Catarina como uma "agressão" ao estado. Segundo ele, as lideranças locais deveriam ter prioridade. Adriano mencionou nomes como Caroline de Toni (PL-SC), Gilson Marques (Novo-SC) e Esperidião Amin (PP-SC) como quadros que, em sua avaliação, já representam Santa Catarina no cenário nacional.

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Em vídeo divulgado nas redes sociais, Jorginho Mello afirmou que Adriano Silva aceitou o convite para compor a chapa. "O Adriano Silva, meu amigo e prefeito da querida cidade de Joinville, aceitou o convite para ser o meu vice na próxima eleição. Somos pré-candidatos a governador e vice-governador", declarou. No mesmo vídeo, o governador disse que a composição representa a união das forças da direita em Santa Catarina.

MDB surpreendido e insatisfeito

A escolha causou surpresa entre lideranças do MDB no estado. O partido havia recebido sinalizações de que a vaga de vice seria destinada à legenda, inclusive após declarações públicas do governador em outubro, quando afirmou que estava "tudo encaminhado". Atualmente, o MDB ocupa quatro secretarias no governo estadual: Agricultura, Meio Ambiente, Infraestrutura e Esporte.

O nome mais cotado dentro do partido para a vaga era o do secretário de Agricultura, Carlos Chiodini, que também preside o diretório estadual da sigla. Sua nomeação para a pasta, em fevereiro do ano passado, foi interpretada como um gesto de aproximação entre o governo e o MDB, movimento que enfrentou resistência dentro do PL.

À época, a deputada federal Júlia Zanatta questionou publicamente os critérios dessa aproximação ao afirmar que parecia haver preferência por aliados que "votam mais com o governo Lula". Com o anúncio do vice do Novo, a ala mais alinhada ao bolsonarismo dentro do PL reagiu de forma positiva.

Reação bolsonarista e estratégia eleitoral

Em vídeo publicado na noite de quinta-feira, Júlia Zanatta afirmou que a composição amplia as chances de vitória já no primeiro turno. Segundo ela, a aliança impede a formação de um novo polo de direita no estado. "Ou está com o Lula, ou está com a gente", disse.

Interlocutores do governo relatam que, ao longo do último ano, o desempenho eleitoral de Adriano Silva passou a ser visto como um diferencial. Em 2024, o prefeito foi reeleito em Joinville no primeiro turno, com 78% dos votos, resultado que atraiu o interesse de diferentes partidos para uma possível composição estadual.

A aceitação do convite de Jorginho ocorreu oficialmente na noite de quinta-feira e teve repercussão favorável entre setores do PL. No MDB, no entanto, o clima é de insatisfação. Após ser excluído da chapa majoritária, o partido convocou uma reunião para a próxima segunda-feira, em um hotel em Florianópolis, com o objetivo de discutir a permanência ou não no governo estadual.

Disputa ao Senado e críticas a Carlos Bolsonaro

A definição da chapa também retoma debates iniciados no ano passado, quando Jorginho Mello indicou Carlos Bolsonaro como candidato ao Senado por Santa Catarina. A decisão retirou da disputa a deputada federal Caroline de Toni, uma vez que a segunda vaga deverá ser ocupada pelo senador Esperidião Amin, que buscará a reeleição.

Desde então, Caroline de Toni articula sua saída do PL e negocia filiação ao Partido Novo, onde teria espaço para disputar uma vaga ao Senado. A candidatura de Carlos Bolsonaro foi alvo de críticas de lideranças da política catarinense.

O prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), pré-candidato ao governo estadual, afirmou que a candidatura de Carlos Bolsonaro não tem sido bem recebida pelos eleitores catarinenses. Já o prefeito de Camboriú, Leonel Pavan (PSD), classificou a decisão como "uma loucura" e criticou o tratamento do estado como "um balcão de negócios".

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