Pedro Uczai chama de "retrocesso inaceitável" lei que extingue cotas raciais em Santa Catarina
Deputado do Partido dos Trabalhadores afirma que norma sancionada por bolsonarista Jorginho Mello viola políticas nacionais de inclusão
247 - O deputado federal Pedro Uczai (PT-SC) repudiou nesta segunda-feira (26) a lei sancionada pelo governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), que extingue a política de cotas raciais nas universidades do estado. Segundo Uczai, a nova legislação representa um retrocesso nas políticas de promoção da igualdade e de justiça social.
"É inadmissível que, sob a influência da extrema-direita, nosso estado se torne símbolo do retrocesso em políticas que promovem justiça social e igualdade de oportunidades", afirmou.
Lei restringe acesso de grupos historicamente excluídos
O deputado declarou que a extinção das cotas raciais restringe o acesso de negros, negras, quilombolas, indígenas e estudantes pobres ao ensino superior, aprofundando desigualdades históricas. Para ele, a medida reforça mecanismos de exclusão já presentes na sociedade brasileira.
"Como professor e deputado federal, manifesto minha indignação. Essa lei não apenas mantém a injustiça histórica, ela a amplia. É um retrocesso inaceitável. Precisamos defender as políticas afirmativas e garantir que as universidades sejam espaços de inclusão, diversidade e justiça social", disse.
Santa Catarina adota política contrária às diretrizes nacionais
Professor universitário, Uczai classificou a norma como um grave retrocesso social e institucional. Segundo ele, Santa Catarina passa a adotar uma política contrária às diretrizes nacionais voltadas à redução das desigualdades no acesso ao ensino superior.
O parlamentar afirmou que a região Sul do Brasil, incluindo Santa Catarina, foi historicamente beneficiada por políticas públicas que favoreceram populações de origem europeia, com acesso a terras, subsídios e incentivos estatais. Em contrapartida, destacou que a população negra enfrentou mais de 300 anos de escravidão e continuou excluída de direitos básicos após a abolição.
"As políticas afirmativas existem para reparar uma injustiça histórica. Negá-las é ignorar deliberadamente desigualdades que o próprio Estado ajudou a construir", declarou.
PT protocola ADI no STF contra lei catarinense
Uczai informou ainda que articulou, junto ao Partido dos Trabalhadores, o ingresso de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a lei sancionada pelo governo catarinense.
Segundo ele, a iniciativa questiona a constitucionalidade da norma, uma vez que as políticas de ações afirmativas possuem respaldo nacional e precedentes favoráveis na Suprema Corte. A ação já foi protocolada pelo partido, que é juridicamente legitimado para apresentar esse tipo de medida.


