Polícia Militar agride trabalhadores em fábrica no Paraná
Em greve, funcionários da Brose do Brasil reivindicam salários atrasados e reajuste no piso da categoria
Por Ricardo Nêggo Tom, 247 - Na manhã desta quarta-feira (4), trabalhadores da Brose do Brasil, fabricante de peças automotivas localizada em São José dos Pinhais, no Paraná, foram surpreendidos com uma ação truculenta da Polícia Militar, que atendeu a um chamado da empresa para retirá-los da porta da fábrica. Segundo denúncia feita pelos trabalhadores e por dirigentes sindicais que acompanham a greve, a empresa estaria contratando funcionários com um salário abaixo do piso da categoria – o que é proibido por lei em caso de greve – e admitindo jovens aprendizes como operários da linha de produção sem o devido treinamento, expondo-os ao risco de acidentes.
A ação dos policiais militares contra os trabalhadores em greve resultou na prisão do sindicalista Nelsão da Força, dirigente da Força Sindical e vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba, que foi violentamente agredido pelos agentes, tendo sido atirado ao chão e imobilizado com um golpe conhecido como “mata-leão”, antes de ser jogado dentro de uma viatura da PM. Apesar dos apelos feitos pelos demais trabalhadores presentes no local, que pediam moderação aos policiais em função da idade avançada do sindicalista e do risco iminente de desmaio em função do sufocamento que ele sofria, os agentes mantiveram a postura truculenta contra Nelsão e jogaram gás de pimenta nos trabalhadores que apenas tentavam contornar a situação.
Por telefone, o sindicalista e jornalista Pedro Pedron, assessor de comunicação do Sindmetal, disse ao 247 que já existe uma audiência marcada no Ministério Público para a próxima sexta-feira (6), onde está prevista uma tentativa de negociação entre os trabalhadores e a empresa. Pedron alerta para a gravidade da ação da PM contra os trabalhadores, uma vez que não existe nenhuma ação judicial que autorize esse tipo de procedimento. “A polícia vem batendo nos trabalhadores obedecendo a um chamado da empresa”, diz o jornalista. O Setorial Sindical do Partido dos Trabalhadores do Paraná emitiu nota na qual “repudia o uso de força contra o companheiro e vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba (SMC), Nelsão da Força”, e adverte que “não é papel da Polícia Militar, em hipótese alguma, o uso da força e da violência contra trabalhadores que estão exercendo seu direito legítimo de greve e manifestação”.
Em postagem em seu perfil no Instagram, o líder da Oposição na Assembleia Legislativa do Paraná, deputado estadual Arilson Chiorato (PT) – que também é presidente estadual da sigla –, condenou a ação da Polícia Militar e anunciou que irá cobrar explicações do governador Ratinho Júnior sobre o procedimento dos policiais no caso. “Não dá para admitir esse excesso de uso da força por parte da Polícia do Paraná contra trabalhadores que estão cobrando direitos que lhes são devidos”, diz ele. Até o fechamento desta matéria, a informação é de que o sindicalista Nelsão segue preso no Pelotão de Trânsito da Polícia Militar, que fica na Rua Joaquim Nabuco, 2134, em São José dos Pinhais. Apesar da truculência policial, os trabalhadores anunciaram outra manifestação na porta da empresa para a tarde desta quarta-feira, quando seguirão cobrando, além dos salários atrasados, outros benefícios como vale-alimentação, que não estariam sendo pagos.


