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"Se eu tivesse visto batendo no cachorro, eu diria", afirma porteiro sobre Orelha

Depoimento é peça central da investigação sobre a morte do cão comunitário Orelha na Praia Brava, em Florianópolis

Cão Orelha (Foto: Divulgação/ND Mais)

247 - A morte de Orelha, cão comunitário cuidado por moradores da Praia Brava, em Florianópolis, gerou comoção nacional e segue sob investigação da Polícia Civil. Encontrado agonizando no início de janeiro, o animal não resistiu aos ferimentos, e os investigadores trabalham com a hipótese de agressão, apurando o possível envolvimento de adolescentes que frequentavam a região, segundo reportagem exibida pelo Fantástico, da TV Globo.

O caso ganhou novos contornos quando moradores passaram a apontar um porteiro de um condomínio do bairro como possível testemunha relevante. Depoimentos prestados por ele e dados da investigação policial detalham uma série de conflitos entre o funcionário e adolescentes ao longo do verão.

De acordo com os relatos reunidos pela polícia, os atritos começaram por causa de bagunça, xingamentos, depredação de lixeiras e desrespeito a regras de horário de entrada e saída do condomínio. Em uma dessas discussões, o porteiro fotografou dois dos rapazes e compartilhou as imagens em um grupo de mensagens, acompanhadas de um áudio em que mencionava suspeitas envolvendo o ataque ao animal. Na gravação, ele disse: “Na mesma noite que eles arranjaram confusão comigo, eles, parece, que deram umas pauladas em um cachorro. E, depois, foram lá e mexeram na barraca ainda. É seis folgados. São seis folgados que tem aí”.

Em depoimento formal, o porteiro descreveu os episódios de hostilidade que vinha enfrentando. “Eu fui bastante xingado, né? Eu tenho um vídeo deles danificando lixeiras na frente do condomínio. Isso duas, três horas da manhã. E eles xingavam de porteiro de merda, assalariado, lá, não sei o quê, e velho, e barrigudo. Eu gravei bem esses guris por causa dessas coisas”, afirmou.

Questionado especificamente sobre a morte de Orelha, ele negou ter presenciado qualquer agressão direta ao animal e ressaltou que não poderia fazer acusações sem provas. “Agora lá sobre a situação do cachorro, eu não posso acusar que foram eles. E eu digo para senhora: se eu tivesse visto batendo no cachorro, eu diria que eram eles”, declarou.

Após a repercussão das fotos e dos conflitos, pais de dois adolescentes e o tio de um deles foram até a portaria do condomínio. Um dos encontros foi registrado por câmeras de segurança e levantou suspeitas de intimidação. A delegada da Proteção Animal, Mardjoli Valcareggi, explicou que a situação motivou medidas investigativas. “E nesse momento, uma dessas pessoas estava com volume na região da cintura, que deu a entender ali, tanto para a vítima, que seria a pessoa coagida, quanto para duas testemunhas que estavam presentes no momento da discussão, que poderia ser uma arma de fogo. Nós representamos para um mandado de busca e apreensão no endereço desse suspeito e não foi localizada essa arma”, afirmou.

A investigação também ouviu o veterinário que atendeu Orelha pouco antes da morte. Derli Royer relatou o estado crítico do animal ao chegar para atendimento. “Lesões na cabeça, no olho, principalmente no lado esquerdo, e desidratado, sem quase nenhum movimento, não tinha reflexo. Foi tentado dar os primeiros procedimentos, a soroterapia e tentar levantar ele, mas como ele estava muito grave, ele veio a óbito logo em seguida”, contou.

Durante a reportagem, o veterinário foi questionado se as lesões poderiam ter sido resultado de um acidente. Ele descartou essa possibilidade. Ao ser indagado se se tratava de agressão, respondeu afirmativamente e reforçou: “Descarto um acidente”.

Depois do episódio, o porteiro registrou boletim de ocorrência por ameaça. As famílias dos adolescentes, por sua vez, procuraram a polícia após saberem que as imagens dos jovens estavam circulando na internet. A Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão nas casas de quatro adolescentes apontados como suspeitos e em endereços ligados a seus responsáveis, enquanto as apurações continuam para esclarecer as circunstâncias da morte de Orelha.

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