Nathalia Urban por Milenna Saraiva

Esta seção é dedicada à memória da jornalista Nathalia Urban, internacionalista e pioneira do Sul Global

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Brasil e Índia ampliam cooperação energética em meio a mudanças globais

Parceria entre Brasil e Índia no setor energético cresce com avanço das exportações de petróleo e pode reforçar papel estratégico brasileiro no Sul Global

Narendra Modi e Lula (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

247 - A reconfiguração do comércio internacional, impulsionada por tarifas dos Estados Unidos e conflitos geopolíticos, tem aproximado Brasil e Índia no setor energético, com impacto direto nas exportações brasileiras de petróleo e na estratégia de inserção global do país. O movimento ocorre em um cenário de incertezas econômicas e rearranjos comerciais que favorecem novas alianças entre países emergentes, segundo a agência Sputnik.

A Índia consolidou-se em 2026 como o segundo principal destino do petróleo brasileiro, ficando atrás apenas da China e superando os Estados Unidos. Esse avanço reflete a ampliação de contratos firmados pela Petrobras com grandes refinarias indianas, com projeção de vendas que podem alcançar até 60 milhões de barris até 2027.

O fortalecimento dessa relação bilateral tem sido analisado como um passo relevante para o posicionamento internacional do Brasil. O analista de relações internacionais André Figueiredo Nunes avalia que a parceria contribui para ampliar o papel do país como fornecedor estratégico no Sul Global, especialmente em um contexto de transição nas cadeias globais de energia.

Apesar do crescimento das exportações, o especialista destaca que o foco atual permanece concentrado na venda de petróleo bruto. Esse modelo, segundo ele, não enfrenta diretamente um dos principais desafios estruturais do setor energético brasileiro: a dependência externa em capacidade de refino.

Ainda assim, o aprofundamento das relações com a Índia pode trazer ganhos econômicos importantes e ampliar a relevância geopolítica do Brasil. Em um ambiente internacional marcado por disputas comerciais e instabilidade, a diversificação de mercados e o fortalecimento de parcerias estratégicas tendem a se consolidar como elementos centrais da política energética brasileira.

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