Nathalia Urban por Milenna Saraiva

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Índia amplia exploração de petróleo e gás e abre nova rodada com mais de 260 mil km² para pesquisa

Governo reforça estratégia de segurança energética com expansão em terra e no mar

Exploração de petróleo na Índia (Foto: Agência ANI)

247 – A Índia iniciou um novo movimento para ampliar sua fronteira de exploração energética com o lançamento da rodada 11 da Open Acreage Licensing Policy (OALP), política que regula a oferta de blocos para pesquisa e produção de petróleo e gás no país. A informação foi divulgada pela agência ANI nesta segunda-feira, 30 de março de 2026, a partir de Nova Déli.

Segundo a ANI, o anúncio foi feito pelo ministro do Petróleo e Gás Natural da Índia, Hardeep Singh Puri, que apresentou a nova etapa como parte de uma estratégia voltada ao crescimento econômico, à resiliência do setor energético e ao fortalecimento da autossuficiência nacional. Em publicação na rede X, o ministro afirmou: "Com a Rodada XI da OALP agora em vigor, estamos desbloqueando vastas fronteiras sob nossa terra e nossos mares — impulsionando crescimento, resiliência e autossuficiência. A Rodada X (~25 blocos; ~182.589 km²) e a Rodada XI (~80.228 km²) estão agora disponíveis — juntas, liberando cerca de 262.817 km² para exploração."

A declaração de Puri evidencia a dimensão da nova ofensiva exploratória. Somadas, as rodadas 10 e 11 colocam em oferta cerca de 262.817 quilômetros quadrados para exploração de recursos energéticos, numa combinação de áreas terrestres e marítimas. O governo indiano busca, com isso, acelerar a descoberta de novas reservas e reduzir vulnerabilidades externas em um cenário global marcado por instabilidade energética.

O ministro também vinculou o lançamento da rodada 11 à visão estratégica do primeiro-ministro Narendra Modi, inserindo a medida no escopo da iniciativa Samudra Manthan. Em sua postagem, Puri declarou: "Este é um passo decisivo alinhado à visão do primeiro-ministro Narendra Modi no âmbito do Samudra Manthan: acelerar licitações, expandir áreas e fortalecer a segurança energética da Índia. A busca para descobrir a riqueza energética oculta do país continua."

A fala reforça que a medida integra um projeto mais amplo de fortalecimento da soberania energética indiana. A estratégia combina expansão territorial das áreas de exploração, aceleração de processos regulatórios e estímulos à participação de investidores.

O lançamento da OALP XI ocorre após outro movimento relevante anunciado em dezembro do ano passado, quando a Índia ofereceu 50 novos blocos de exploração e produção, abrangendo petróleo, gás natural e coal bed methane (CBM). Segundo Puri, tratou-se de um marco transformador para o setor energético.

Na ocasião, o ministro afirmou: "Estamos oferecendo 50 novos blocos de exploração e produção, incluindo a OALP-X com 25 blocos, a rodada de Campos Pequenos Descobertos (DSF-IV) com 55 campos em 9 áreas contratuais e rodadas especiais de CBM em 2025 e 2026, com 3 blocos em 2025 e 13 blocos em 2026."

De acordo com os dados apresentados, a rodada OALP-X abrangeu cerca de 183 mil quilômetros quadrados, distribuídos entre áreas em terra, águas rasas, profundas e ultraprofundas — evidenciando a diversificação da estratégia exploratória indiana.

O desenho regulatório também busca atrair investidores. Entre os principais pontos estão a manutenção dos direitos de exploração durante todo o contrato, regras diferenciadas de compartilhamento de receita, redução progressiva de royalties para áreas offshore e maior flexibilidade operacional.

Puri destacou essas características ao afirmar: "As principais características desses blocos incluem a manutenção dos direitos de exploração ao longo de todo o contrato; compartilhamento de receita nos primeiros 5 a 7 anos em bacias da Categoria I; ausência de compartilhamento de receita nas Categorias II e III até ganhos extraordinários; redução escalonada de royalties para áreas offshore; e possibilidade de troca do programa de trabalho."

Segundo ele, a política busca destravar o potencial das bacias sedimentares indianas. "A busca para liberar o potencial das bacias sedimentares da Índia ganha novo impulso e dinamismo."

Paralelamente, o governo também avança com a rodada DSF-IV, que reúne 55 descobertas distribuídas em nove áreas contratuais. O objetivo é acelerar a transição entre descoberta e produção, ampliando a oferta interna de energia em prazos mais curtos.

O conjunto dessas iniciativas indica que a Índia aposta na expansão da exploração de hidrocarbonetos como eixo central de sua política energética, combinando abertura regulatória, incentivo ao investimento e busca por maior autonomia em um cenário global cada vez mais competitivo.

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