Brasil lidera agenda de infraestrutura entre países lusófonos e atrai atenção da China em relatório apresentado em Macau
Relatório destaca o avanço do Novo PAC, das energias renováveis e da transformação digital brasileira
Por Leonardo Attuch, de Macau – O Brasil aparece como o principal destaque do Relatório sobre o Índice de Desenvolvimento da Infraestrutura dos Países de Língua Portuguesa e as Conquistas de Macau na Iniciativa Cinturão e Rota 2026, apresentado durante o Fórum Internacional de Investimentos e Construção de Infraestrutura realizado em Macau.
O estudo, elaborado por instituições chinesas ligadas à cooperação internacional em infraestrutura, coloca o Brasil na liderança entre os países de língua portuguesa em demanda por investimentos e projetos estruturantes, além de apontá-lo como um dos mercados mais promissores para a expansão da cooperação sino-latino-americana.
O relatório foi divulgado paralelamente ao 12º Fórum de Cooperação em Infraestrutura China-América Latina, que reuniu autoridades, bancos de desenvolvimento, organismos internacionais e grandes empresas do setor. Entre os patrocinadores do evento esteve a PowerChina, uma das maiores empresas de engenharia e infraestrutura do mundo e atualmente uma das construtoras chinesas mais atuantes no Brasil. A companhia participa de projetos estratégicos no país, incluindo as obras da Linha 2-Verde do Metrô de São Paulo, além de empreendimentos nos setores de energia, mobilidade urbana e infraestrutura logística.
Segundo o estudo, o Brasil mantém a liderança entre os países lusófonos em potencial de desenvolvimento de infraestrutura, impulsionado pelo tamanho de sua economia, pela retomada dos investimentos públicos e pelo fortalecimento de programas como o Novo PAC.
Novo PAC impulsiona modernização da infraestrutura
O relatório identifica o Novo PAC como o principal motor da atual expansão da infraestrutura brasileira. Na avaliação dos pesquisadores chineses, o programa criou um ambiente mais favorável à realização de grandes investimentos ao combinar planejamento de longo prazo, financiamento e execução de obras estratégicas.
O documento destaca que o Brasil vive uma fase de aceleração da implementação de projetos nos setores de transporte, energia, recursos hídricos, saneamento e infraestrutura digital. A avaliação é que 2026 marca uma transição importante entre o planejamento e a execução física das obras, fortalecendo a capacidade do país de reduzir gargalos históricos e ampliar sua competitividade.
Os autores também apontam a complementaridade entre o Novo PAC e a política industrial Nova Indústria Brasil, que busca estimular a modernização produtiva e a inovação tecnológica.
Energia renovável coloca Brasil no centro da transição energética
O relatório dedica atenção especial ao setor energético brasileiro. Segundo o documento, o país está entre os protagonistas mundiais da transição energética graças à abundância de recursos naturais e ao crescimento acelerado dos investimentos em fontes renováveis.
A expectativa é que a participação das fontes renováveis não hídricas continue crescendo nos próximos anos, impulsionada principalmente pelos investimentos em energia solar e eólica.
Entre os projetos destacados estão o complexo solar Rui Barbosa e o parque eólico Serra do Assuruá, ambos localizados na Bahia e considerados exemplos da expansão da geração limpa no país.
O estudo ressalta ainda que a modernização do sistema de transmissão tornou-se um desafio estratégico. Como grande parte da geração renovável está concentrada no Nordeste e o consumo permanece mais intenso no Sudeste, novas linhas de transmissão são consideradas fundamentais para garantir eficiência e segurança energética.
Nesse cenário, o relatório destaca a crescente presença de empresas chinesas no setor energético brasileiro, acompanhando a expansão da cooperação entre os dois países em áreas consideradas prioritárias para o desenvolvimento sustentável.
Logística e mobilidade atraem investimentos
A modernização da infraestrutura logística também recebe destaque no estudo. O relatório cita projetos como o Trem Intercidades São Paulo-Campinas, considerado uma das principais iniciativas ferroviárias em desenvolvimento no país.
Também são mencionados investimentos em mobilidade urbana, expansão portuária e integração ferroviária, além da Ponte Salvador-Itaparica, apontada como um dos mais relevantes projetos de cooperação entre Brasil e China na atualidade.
Segundo os autores, o modelo brasileiro de concessões e parcerias público-privadas vem ampliando a capacidade de atração de investimentos de longo prazo e criando oportunidades para empresas nacionais e estrangeiras.
Transformação digital acelera crescimento
Outro destaque do relatório é a transformação digital da economia brasileira.
Os pesquisadores apontam que a expansão das redes 5G, dos centros de dados e das soluções de inteligência artificial está consolidando o Brasil como principal polo digital da América Latina.
São mencionados investimentos em infraestrutura tecnológica em estados como São Paulo e Ceará, além do crescimento dos data centers e da digitalização de cadeias produtivas ligadas à agricultura, à indústria e à logística.
Na avaliação dos autores, a combinação entre energia renovável abundante e infraestrutura digital avançada coloca o Brasil em posição privilegiada para receber investimentos relacionados à economia digital global.
BRICS fortalecem financiamento ao desenvolvimento
O relatório também destaca o papel crescente dos BRICS no financiamento da infraestrutura brasileira.
Segundo o documento, projetos apoiados pelo Novo Banco de Desenvolvimento, o banco dos BRICS, já contribuem para a expansão de corredores logísticos e obras estruturantes em diversas regiões do país.
Os autores defendem o aprofundamento dos mecanismos de financiamento em moedas locais e a ampliação da cooperação financeira entre Brasil e China como forma de impulsionar novos investimentos em infraestrutura, energia e inovação.
Brasil é visto como parceiro estratégico da China
A conclusão do relatório é que o Brasil reúne as condições mais favoráveis entre os países lusófonos para receber investimentos em infraestrutura, energia, logística, digitalização e transição ecológica.
Para os pesquisadores chineses, a combinação entre o tamanho do mercado brasileiro, o avanço do Novo PAC, a expansão das energias renováveis e a crescente integração econômica com a China cria oportunidades inéditas para uma nova etapa da cooperação bilateral.
Apresentado em Macau durante um dos principais encontros internacionais do setor, o estudo reforça a percepção de que o Brasil ocupa posição central na estratégia chinesa de cooperação em infraestrutura e desenvolvimento sustentável, consolidando-se como um dos parceiros mais importantes da China na América Latina e no mundo em desenvolvimento.





