Nathalia Urban por Milenna Saraiva

Esta seção é dedicada à memória da jornalista Nathalia Urban, internacionalista e pioneira do Sul Global

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Dilma defende NDB maior, mais verde e mais digital em reunião dos BRICS em Moscou

Banco dos BRICS aprovou US$ 42,9 bilhões em financiamentos e mira expansão, moedas locais e inovação tecnológica no Sul Global

Dilma Rousseff (Foto: Aly Song / Reuters)
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247 – A presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), Dilma Rousseff, defendeu que a instituição avance para uma nova etapa de expansão, inovação e fortalecimento do Sul Global, durante a 11ª Reunião Anual do Conselho de Governadores do banco, realizada em Moscou, na Rússia, em 14 e 15 de maio de 2026.

O encontro teve como tema “Financiamento do desenvolvimento em uma era de revolução tecnológica” e reuniu ministros, autoridades governamentais, dirigentes do banco, lideranças empresariais, parceiros de desenvolvimento, especialistas e representantes da imprensa.

Em seu discurso na cerimônia de abertura, Dilma afirmou que o banco deve se preparar para um novo ciclo estratégico. “À medida que o NDB embarca na formulação de sua nova Estratégia, a visão é clara: o Banco será maior, mais verde, mais digital, mais inovador, mais ágil e mais cooperativo, mantendo-se fundamentado no pragmatismo e focado na entrega”, disse.

Dilma também destacou que o financiamento em moedas locais continuará sendo prioridade estratégica. Segundo ela, o banco dará atenção especial à ampliação das operações com os novos membros e ao fortalecimento de seu papel como plataforma de cooperação entre países em desenvolvimento.

“O NDB continuará a buscar uma expansão gradual e equilibrada de membros e a fortalecer seu papel como voz unificada e plataforma para o Sul Global, ampliando as prioridades dos membros, facilitando a cooperação Sul-Sul e mobilizando soluções coletivas para desafios comuns de desenvolvimento”, afirmou.

Banco dos BRICS mira inovação e moedas locais

O primeiro-ministro russo, Mikhail Mishustin, afirmou por vídeo que o NDB se tornou um dos pilares do sistema financeiro emergente do Sul Global. Ele citou o presidente russo Vladimir Putin ao dizer que o banco consolidou uma atuação eficaz em investimentos e empréstimos.

Mishustin também defendeu que a instituição assuma papel central no financiamento de inovação. “O NDB tem tudo o que precisa para se tornar um ‘banco internacional de inovações’, ajudar países a identificar áreas-chave para investimento, selecionar as melhores ferramentas de desenvolvimento e criar condições para que empresas invistam em estágios iniciais e no longo prazo”, disse.

A Rússia defendeu ainda a diversificação da carteira do banco, o fortalecimento da cooperação entre membros e o aumento da participação de moedas nacionais no financiamento do NDB.

BRICS defendem soberania e consenso

No seminário de governadores do NDB, o vice-primeiro-ministro russo Alexey Overchuk afirmou que a força dos BRICS está no respeito à soberania e na tomada de decisões por consenso.

“Aqui temos países que pensam de forma semelhante no sentido de que todos valorizamos a independência e a crença de que nossos países respeitam uns aos outros. Essa é uma das maiores forças dos BRICS”, afirmou.

Segundo Overchuk, o NDB deve ajudar seus membros a responder aos efeitos da desglobalização e atuar em áreas como mudanças climáticas, escassez de água e segurança alimentar.

O ministro das Finanças da Rússia, Anton Siluanov, também defendeu que os países dos BRICS consolidem suas capacidades financeiras, científicas e produtivas. Segundo ele, o potencial de expansão dos mercados de alta tecnologia nos países do bloco supera US$ 400 bilhões por ano.

Jeffrey Sachs vê NDB como instituição crucial

O economista Jeffrey Sachs, diretor do Centro para o Desenvolvimento Sustentável da Universidade Columbia, afirmou que o trabalho do NDB tem “profunda importância para o mundo inteiro”.

“O sucesso dos países BRICS e das economias emergentes e em desenvolvimento é realmente o sucesso do mundo”, disse Sachs.

Ele afirmou que o mundo passa por três transformações profundas: geopolítica, ecológica e tecnológica. Nesse contexto, defendeu que o NDB amplie o financiamento, fortaleça parcerias com países africanos, apoie tecnologias verdes e digitais, financie a urbanização sustentável e contribua para sistemas alternativos de pagamentos e liquidações.

Índia sediará reunião de 2027

Na sessão de negócios realizada em 15 de maio, o Conselho de Governadores saudou os avanços do banco no último ano e orientou os próximos passos para a expansão de membros e a formulação da Estratégia Geral 2027-2031.

A ministra das Finanças da Índia, Nirmala Sitharaman, foi eleita próxima presidente do Conselho de Governadores. O ministro das Finanças da China, Lan Fo’an, foi escolhido como vice-presidente. A Índia sediará a 12ª Reunião Anual do NDB em 2027.

Criado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, o NDB tem o objetivo de mobilizar recursos para infraestrutura e desenvolvimento sustentável em mercados emergentes e países em desenvolvimento. Até o fim do primeiro trimestre de 2026, o banco havia aprovado US$ 42,9 bilhões em financiamentos para 140 projetos em áreas como energia limpa, transporte, água e saneamento, proteção ambiental e infraestrutura social e digital.

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