Dilma se reúne com presidente do Uzbequistão e consolida expansão do banco dos Brics na Ásia Central
Encontro marcou a entrada do Uzbequistão no NDB e abriu caminho para crédito em energia limpa, infraestrutura, transportes e desenvolvimento sustentável
247 – A presidenta do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), Dilma Rousseff, reuniu-se em Tashkent com o presidente do Uzbequistão, Shavkat Mirziyoyev, em um encontro que reforça a ampliação da presença do banco dos Brics na Ásia Central e o papel crescente da instituição no financiamento de projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável em países emergentes.
Segundo informações divulgadas pelo próprio NDB, o encontro ocorreu em 18 de junho de 2026, à margem do Fórum Internacional de Investimentos de Tashkent, que marcou o quinto aniversário do evento. Na reunião, Dilma Rousseff saudou a adesão do Uzbequistão ao NDB como novo país-membro da instituição.
A entrada do Uzbequistão tem importância estratégica para o banco. O país tornou-se o décimo membro do NDB e o primeiro da Ásia Central a integrar a instituição criada originalmente por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, no âmbito dos Brics. A adesão também amplia a atuação do banco em uma região considerada central para rotas de comércio, transporte e conectividade entre a Ásia, a Europa e o Oriente Médio.
Posição estratégica
Durante o encontro, Dilma reconheceu o papel relevante do Uzbequistão na Ásia Central e destacou sua posição singular como polo de trânsito, comércio e integração logística no cruzamento de diferentes regiões do mundo. Essa localização geográfica torna o país um ator importante em projetos de infraestrutura, corredores de transporte, energia e desenvolvimento regional.
A presidente do NDB também elogiou a visão estratégica de Shavkat Mirziyoyev e sua compreensão dos desafios de desenvolvimento enfrentados pelo Uzbequistão. De acordo com o comunicado do banco, Dilma destacou os avanços expressivos obtidos pelo país nos últimos oito anos, período marcado por reformas econômicas, abertura internacional e investimentos em modernização.
O encontro reforçou o compromisso do NDB de financiar projetos voltados às prioridades de desenvolvimento do Uzbequistão. Entre as áreas mencionadas estão energia limpa, gestão de recursos hídricos, serviços públicos, infraestrutura digital e social, além de transportes. Esses setores são considerados fundamentais para sustentar o crescimento econômico do país e melhorar a qualidade dos serviços oferecidos à população.
Grandes eventos no futuro
A reunião também tratou de uma carteira de projetos que poderá ser financiada pelo banco, com apoio técnico, compartilhamento de conhecimento e experiência acumulada pelo NDB em outras economias emergentes. A instituição tem buscado se consolidar como uma alternativa de financiamento voltada às necessidades do Sul Global, com foco em infraestrutura, sustentabilidade e desenvolvimento de longo prazo.
Além da agenda de investimentos, Dilma Rousseff e Shavkat Mirziyoyev discutiram planos para que o Uzbequistão venha a sediar grandes eventos do NDB no futuro. A iniciativa pode reforçar o protagonismo do país dentro da instituição e aproximar ainda mais o banco de projetos estratégicos na Ásia Central.
Criado pelos países fundadores dos Brics — Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul —, o Novo Banco de Desenvolvimento tem como objetivo mobilizar recursos para projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável em mercados emergentes e países em desenvolvimento. Desde 2021, a instituição passou a admitir países não fundadores e vem ampliando sua base de membros.
Fortalecimento do Sul Global
A expansão do NDB ocorre em um contexto de fortalecimento das instituições multilaterais ligadas ao Sul Global. Ao incorporar novos países, o banco busca se posicionar como uma plataforma mais ampla de cooperação entre economias emergentes e em desenvolvimento, oferecendo alternativas de financiamento em setores decisivos para a transição energética, a integração regional e a modernização da infraestrutura.
Para o Uzbequistão, a entrada no NDB representa uma oportunidade de acesso a novas fontes de financiamento internacional, especialmente em áreas consideradas prioritárias para seu desenvolvimento. Para o banco, a adesão do país amplia sua presença geográfica e reforça sua ambição de atuar como instituição de referência para projetos estruturantes fora do eixo tradicional das instituições financeiras dominadas por países desenvolvidos.
A reunião entre Dilma Rousseff e Shavkat Mirziyoyev, portanto, simboliza mais do que uma agenda diplomática. Ela marca um novo passo na internacionalização do NDB e na construção de uma rede de financiamento voltada às necessidades de países emergentes, em um momento em que o debate sobre desenvolvimento sustentável, infraestrutura e autonomia financeira ganha cada vez mais peso na economia global.





