Nathalia Urban por Milenna Saraiva

Esta seção é dedicada à memória da jornalista Nathalia Urban, internacionalista e pioneira do Sul Global

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Especialistas do BRICS definem novos motores da parceria empresarial

Participantes da mesa-redonda no Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo discutiram mecanismos eficazes de cooperação entre os países

SPIEF 2026 (Foto: Roscongress)
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247 - O volume de comércio entre os países do BRICS ultrapassou, em 2025, a marca simbólica de US$ 1 trilhão (cerca de R$ 5 trilhões). O dado foi lembrado aos participantes do 29º Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo (SPIEF) pela diretora do Instituto de Estudos Africanos da Academia de Ciências da Rússia, Irina Abramova. Ao lado de especialistas da Índia, do Brasil, da China e da África do Sul, ela discutiu mecanismos eficazes para o desenvolvimento do grupo como um todo e de cada país em particular durante a sessão do Conselho Empresarial do BRICS "Novos motores da parceria empresarial dentro do BRICS". A rede de mídia TV BRICS atua como parceira de informação do 29º fórum.

Especialistas internacionais concordaram que o setor empresarial desempenha papel central no grupo. Para apoiar essa área, em fevereiro deste ano, por determinação do presidente da Rússia, Vladimir Putin, foi criado o Comitê Nacional para Questões de Cooperação Empresarial do BRICS. O chefe da Diretoria de Especialistas da Presidência da Rússia, Denis Agafonov, afirmou que a iniciativa deve ter grande demanda e continuidade.

"Por definição, o setor empresarial é mais descentralizado, mais flexível e mais orientado para alcançar resultados práticos. Por isso, conceitos como diplomacia empresarial ganham importância e valor adicionais nas circunstâncias atuais. Uma das tarefas do Comitê Nacional é justamente tornar esse processo mais coordenado, além de ajudar nossas principais associações empresariais que atuam no espaço do BRICS em questões como posicionamento, definição de prioridades em determinadas áreas de cooperação e construção de comunicação", afirmou Agafonov.

Neste ano, sob a presidência da Índia no BRICS, atenção especial é dada ao desenvolvimento sustentável e às inovações. O embaixador da Índia na Rússia, Vinay Kumar, destacou a importância de preservar o progresso para as futuras gerações.

"As pessoas estão no centro das atividades do BRICS durante a presidência da Índia e também da nossa reunião de hoje. [...] O objetivo da Índia durante o ano de presidência é estabelecer parcerias e, novamente, ressaltar que tudo isso é feito para o ser humano. Novas conexões vão contribuir para o desenvolvimento de todos nós. A Cúpula do BRICS, que será realizada em setembro deste ano, será um evento importante para todo o grupo. Os 10 países-membros e os parceiros representam 50% da população mundial, 50% do PIB global e 35% do comércio global. Isso não são apenas dados estatísticos. Somos bilhões de pessoas responsáveis pelas decisões que tomamos. Todos os Estados-membros com os quais trabalhamos compartilham uma visão comum e objetivos comuns", afirmou Kumar.

Após a Índia, em 2027, a presidência do BRICS passará para a China. Segundo Liu Xu, presidente de um banco subsidiário de uma grande instituição financeira chinesa, a cooperação financeira entre os países do BRICS enfrenta uma série de desafios. A China está pronta para ajudar a superá-los.

"A China propõe, em primeiro lugar, aprofundar o desenvolvimento do mercado interno e das cadeias produtivas. Em segundo lugar, seguir os princípios do pragmatismo e desenvolver a cooperação em projetos de infraestrutura e projetos-piloto de pagamentos em moedas nacionais. Também é importante estimular o Novo Banco de Desenvolvimento a desempenhar um papel mais ativo no aprofundamento dos pagamentos, do financiamento e dos investimentos nas moedas nacionais dos países-membros. O ano de 2027 será o ano da China no BRICS. [...] Vamos nos concentrar na cooperação em áreas importantes, como digitalização, desenvolvimento inteligente, transformação verde e desenvolvimento sustentável, para alcançar resultados práticos", destacou.

A importância da criação de um sistema único de pagamentos também foi mencionada pelo representante da África do Sul no Conselho Empresarial do BRICS, Elias Monage.

Os especialistas também destacaram a eficácia da cooperação bilateral dentro do BRICS: essa experiência pode, no futuro, ser ampliada para todo o grupo. Nesse sentido, a cooperação entre a Rússia e o Brasil na agricultura é um exemplo relevante. O presidente do Conselho Empresarial Brasil-Rússia e da Associação Brasileira da Indústria de Café, Pavel Cardoso, afirmou que o BRICS se tornou uma plataforma eficaz para a cooperação econômica e empresarial.

"O papel dos nossos conselhos empresariais é aproximar as empresas e identificar oportunidades concretas. Afinal, são as empresas que podem transformar em ações concretas todas as oportunidades oferecidas pelos governos dos nossos países. [...] Os fertilizantes russos são estratégicos para a produtividade agrícola brasileira. Nos últimos 25 anos, tivemos um aumento de cinco vezes na produtividade do café do Brasil, e isso muito graças ao trabalho dos nossos produtores. Mas isso não seria possível se não tivéssemos o fornecimento de fertilizantes para possibilitar o bom trabalho que nossos produtores realizam. Esses fertilizantes garantem a eficiência e a competitividade do agronegócio e contribuem diretamente para a produção brasileira de alimentos. Os fertilizantes russos, a agricultura e a indústria brasileira fazem parte de uma mesma cadeia global de segurança alimentar. [...] Quando combinamos essa força agrícola do Brasil e a capacidade industrial da Rússia com o potencial econômico do BRICS, estamos construindo prosperidade e segurança alimentar para bilhões de pessoas"

Pavel Cardoso
Presidente do Conselho Empresarial Brasil-Rússia

O ministro coordenador de Infraestrutura e Desenvolvimento Regional da Indonésia, Agus Harimurti Yudhoyono, afirmou em entrevista exclusiva à TV BRICS no estúdio da rede instalado na zona de diálogo empresarial da Roscongress International, durante o Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo, que o BRICS abre novas oportunidades para a Indonésia em crescimento econômico, promoção de iniciativas regionais e atração de investimentos.

"A entrada da Indonésia no BRICS e a participação em eventos em plataformas como o Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo permitem que a Indonésia e outros países do Sudeste Asiático apresentem suas iniciativas de forma mais ativa e ampliem a cooperação com parceiros. Espero que isso ajude a fortalecer a comunicação e abrir novas oportunidades de investimento", afirmou Agus Harimurti Yudhoyono.

Ele também destacou a importância de desenvolver laços entre Estados, empresas e sociedades para o intercâmbio de conhecimentos e tecnologias.

"Se fortalecermos as parcerias não apenas no nível dos governos, mas também entre empresas e entre pessoas, por meio de intercâmbios estudantis e programas de bolsas de estudo, isso levará a uma troca de conhecimentos mais ativa. No fim, com os mecanismos corretos, poderemos garantir uma transferência justa de tecnologias", ressaltou o ministro coordenador de Infraestrutura e Desenvolvimento Regional da Indonésia.

Os especialistas também destacaram o valor do diálogo dentro do grupo, promovido inclusive pelo Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo. 

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