Nathalia Urban por Milenna Saraiva

Esta seção é dedicada à memória da jornalista Nathalia Urban, internacionalista e pioneira do Sul Global

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Participantes do SPIEF discutem alternativa para mercados financeiros do BRICS

Debatedores do Fórum de São Petersburgo compartilham experiências sobre entrada de empresas de tecnologia nos mercados acionários do BRICS

SPIEF 2026 (Foto: Roscongress)
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247 - O desenvolvimento acelerado de empresas de tecnologia nos países do BRICS pode elevar o crescimento do PIB em até US$ 656 bilhões por ano (aproximadamente R$ 3 trilhões). Além disso, a cooperação entre os países pode gerar um efeito adicional de mais de US$ 2,7 trilhões anuais para o PIB (quase R$ 14 trilhões). A avaliação foi apresentada por Ilia Ivaninski, diretor do Centro de Educação Empresarial e Análise da Universidade Central, com base em um relatório elaborado em parceria com o Ministério das Finanças da Rússia. Ele atuou como moderador da mesa-redonda "IPO: primeiro passo rumo à abertura de capital e à atração de investimentos", realizada durante o 29º Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo (SPIEF). A TV BRICS atua como parceira de informação do evento.

Segundo Ivaninski, o IPO (Initial Public Offering) é o canal por meio do qual esse crescimento chega aos investidores. Trata-se do processo em que uma empresa privada oferece suas ações pela primeira vez para negociação ampla em uma bolsa de valores.

Em 2025, os países do BRICS responderam por até 50% dos IPOs de empresas de tecnologia, afirmou Ivaninski. No entanto, 90% dessas ofertas ficaram concentradas na China e na Índia. A relação entre a capitalização das empresas tecnológicas e o PIB nos países do BRICS, com exceção da China, varia de 5% a 15%. Os participantes da mesa-redonda discutiram formas de ampliar esse indicador.

Na Rússia, há uma determinação presidencial para que a relação entre a capitalização do mercado acionário e o PIB chegue a 66%. Segundo o vice-ministro das Finanças da Rússia, Ivan Tchebeskov, o principal avanço é que o país passou a compreender o mercado acionário como parte essencial da economia, capaz de impulsionar o crescimento e atrair investimentos.

"No país, há uma compreensão comum sobre o mercado financeiro e as autoridades financeiras. Existem várias áreas que precisam ser desenvolvidas. Isso inclui a infraestrutura do mercado financeiro, os instrumentos para investidores e a proteção dos direitos dos investidores. E, naturalmente, uma questão importante é aumentar o número de emissores negociados em nossa bolsa. Nossa tarefa é fazer com que as empresas prontas para captar investimentos, do ponto de vista da governança corporativa e da prestação de contas financeiras, entrem no mercado de IPO. [...] Já temos cerca de 20 candidatos preparados. E, aliás, muitos deles são empresas de tecnologia. Isso ocorre porque as empresas tecnológicas estão se desenvolvendo ativamente. Naturalmente, temos grande interesse em levar empresas com participação estatal ao IPO"
Ivan Tchebeskov
Vice-ministro das Finanças da Rússia

Ao mesmo tempo, a Rússia estuda a experiência internacional.

"Observamos os países do BRICS, nossos parceiros, e temos muito interesse na experiência da China, da Índia e dos Emirados Árabes Unidos, que estão desenvolvendo ativamente seus mercados de capitais. Além de trocar experiências, precisamos integrar nossa infraestrutura e encontrar sinergias entre nossas estruturas. Assim, investidores dos países do BRICS poderão aplicar recursos em empresas de outros membros do grupo, enquanto as companhias terão mais oportunidades de acessar os mercados de capitais dos parceiros. Parece-me que essa também é uma de nossas tarefas", acrescentou Tchebeskov.

O vice-ministro das Finanças dos Emirados Árabes Unidos, Younis Haji Al-Khouri, compartilhou a experiência do seu país. Segundo ele, os Emirados estabeleceram a meta de tornar seu governo o primeiro do mundo a operar integralmente com base em inteligência artificial. Para atrair investidores e concretizar esse objetivo, foram realizadas diversas mudanças na política interna, na legislação e no sistema de regulação do mercado de capitais. Na prática, os Emirados Árabes Unidos criaram um ecossistema que simplifica exigências regulatórias e processos de registro, permitindo que empresas criem novos negócios.

"Essas medidas atraíram investidores de setores específicos da economia. [...] No ano passado, atraímos mais de 53 mil novos investidores para o mercado acionário, 80% deles vindos de fora dos Emirados Árabes Unidos", afirmou Younis Haji Al-Khouri.

Segundo o vice-ministro, enquanto os Emirados Árabes Unidos ajustam suas políticas continuamente para estimular o desenvolvimento do mercado, a China, com sua dimensão e políticas de apoio estatal, busca liderar dois setores-chave, especialmente o de alta tecnologia. A Índia, por sua vez, conta com uma grande base de talentos: o país investiu recursos significativos em seu sistema de institutos de tecnologia, os IITs.

Na avaliação dos especialistas, um dos fatores de desenvolvimento é a existência de uma infraestrutura alternativa para os mercados financeiros no BRICS.

"A criação dessa infraestrutura tem forte impacto sobre o crescimento econômico. Antes, toda a infraestrutura funcionava por meio de alguns hubs ocidentais. Nossos colegas e parceiros do BRICS e do Sul Global já trabalham para criar alternativas a esses polos. Os mercados da China e dos Emirados Árabes Unidos estão se tornando polos alternativos", afirmou Tchebeskov.

Segundo ele, a existência de uma infraestrutura alternativa para os mercados financeiros no BRICS pode gerar até US$ 12 bilhões (cerca de R$ 64 bilhões) por ano para a economia.

"Estamos discutindo com os parceiros a importância de integrar nossa infraestrutura. Isso pode envolver pontes depositárias tradicionais ou novos modelos. Qualquer solução de plataforma dentro de uma grande associação é sempre complexa. Por isso, acredito que vão surgir, e já existem, algumas iniciativas dos países para estabelecer esse tipo de interação em formato bilateral", acrescentou.

O 29º Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo ocorre de 3 a 6 de junho. O evento reúne representantes de mais de 130 países e territórios, incluindo chefes de estruturas governamentais, organizações internacionais, empresas, especialistas e membros da comunidade científica. O tema do fórum em 2026 é "Diálogo pragmático: o caminho para um futuro estável".

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