Nathalia Urban por Milenna Saraiva

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Finanças com IA devem redefinir pagamentos na Índia e nos países do Sul Global

Adelia Castelino, fundadora e diretora-geral da In-Solutions Global, afirma que tecnologia pode melhorar governança e crédito

Adélia Castellino, executiva de tecnologia na Índia (Foto: Agência ANI)

247 – A inteligência artificial (IA) deve desempenhar um papel transformador na reconfiguração do ecossistema de pagamentos na Índia ao incorporar inteligência às finanças digitais, afirmou Adelia Castelino, fundadora e diretora-geral da In-Solutions Global. As declarações foram dadas à agência ANI durante o India AI Impact Summit 2026.

Ao comparar o estágio atual das finanças digitais com o avanço proporcionado pela IA, a executiva destacou a mudança estrutural que a tecnologia pode promover. “Hoje, temos finanças digitais que movem dinheiro de um bolso para outro digitalmente. Com a IA embutida nas finanças, ela trará inteligência e será capaz de trazer um modelo de governança melhor, entender o perfil do cliente, seja risco de crédito ou concessão de empréstimos”, afirmou.

Segundo Castelino, a incorporação de IA permitirá decisões mais precisas e contextualizadas, ampliando a capacidade de análise de risco e melhorando os mecanismos de governança. A tecnologia, na sua avaliação, deixará de ser apenas infraestrutura de transferência de recursos para se tornar um sistema capaz de interpretar dados, antecipar comportamentos e personalizar serviços financeiros.

Experiência do usuário, crédito e liquidez

A executiva também ressaltou que a IA poderá impactar diretamente a experiência do usuário e a eficiência do sistema financeiro como um todo. “Ela será capaz de oferecer a experiência certa ao usuário, dinheiro no tempo certo, dinheiro para a pessoa certa, e trazer a experiência digital não apenas em termos de uso do cliente, mas também em termos de liquidez, e de habilitar e empoderar negócios”, declarou à ANI.

Na prática, isso significa que modelos baseados em inteligência artificial podem melhorar a concessão de crédito, otimizar fluxos de caixa e fortalecer a liquidez das empresas, especialmente pequenas e médias, que dependem de capital de giro ágil. Ao compreender melhor o perfil dos clientes e seus históricos financeiros, o sistema pode reduzir riscos e ampliar a inclusão financeira.

O avanço, segundo a executiva, não se limita à eficiência operacional. Ele envolve também maior precisão regulatória e fortalecimento da governança, aspectos centrais em um mercado de pagamentos digitais em rápida expansão.

O que são os “modelos Bharat”

Além de abordar o impacto da IA nos pagamentos, Castelino defendeu que a Índia invista na criação de sistemas próprios de inteligência artificial, reduzindo a dependência de modelos globais.

“Precisamos ser autossuficientes, independentes e alinhados aos objetivos do governo. Também precisamos construir nossos próprios modelos internos, os modelos Bharat, torná-los inclusivos e garantir que, tanto quanto possível, dependamos de nós mesmos e não tenhamos dependência excessiva dos modelos globais”, afirmou.

Os chamados “modelos Bharat” referem-se a modelos de IA desenvolvidos internamente na Índia, treinados com dados locais e adaptados às especificidades do país. Isso inclui diversidade linguística, diferentes padrões regionais de consumo e crédito, além de prioridades definidas pelas políticas públicas indianas.

A proposta está alinhada à estratégia mais ampla de autossuficiência tecnológica defendida pelo governo indiano, que busca fortalecer capacidades nacionais em setores estratégicos como inteligência artificial, semicondutores e infraestrutura digital. O termo “Bharat”, por sua vez, é o nome tradicional da Índia em hindi e em outras línguas indianas, utilizado na própria Constituição do país. Seu uso nesse contexto reforça a ideia de soberania tecnológica e identidade nacional aplicada ao desenvolvimento de IA.

Índia como polo global de IA

Castelino também destacou o papel do India AI Impact Summit 2026 na consolidação da Índia como um dos principais centros globais de debate sobre inteligência artificial. Segundo ela, o evento reuniu lideranças internacionais e, ao mesmo tempo, fortaleceu o foco interno no desenvolvimento de capacidades próprias.

Na sua avaliação, o encontro contribuiu para ampliar a conscientização sobre o potencial estratégico da IA e estimulou entusiasmo e resiliência no país para acelerar projetos nacionais. Ao combinar diálogo global com ambição doméstica, a Índia busca ocupar posição central na próxima etapa da transformação digital, especialmente em áreas sensíveis como pagamentos e finanças.

O avanço da IA no sistema financeiro indiano, portanto, pode representar não apenas um salto tecnológico, mas também um movimento estratégico rumo à autonomia e à consolidação do país como protagonista no cenário global de inovação.

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