'Precisamos superar nossa dependência tecnológica', diz Luciana Santos ao defender parceria com Índia
A ministra afirmou que é necessário resistir à "ofensiva" dos EUA na política global
247 - A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, afirmou neste sábado (21), na Índia, que o desenvolvimento de um cabo de fibra óptica no âmbito do BRICS é uma das ações concretas do bloco para fortalecer a soberania tecnológica de seus integrantes. A titular da pasta repudiou o que chamou de "ofensiva" dos Estados Unidos na política global. No país asiático, ela também ressaltou que, no Brasil, o governo federal apresentou o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (Pbia) 2024–2028, coordenado pelo MCTI. A proposta prevê um investimento público de R$ 23 bilhões até 2028, cerca de US$ 4,5 bilhões.
“Em um mundo de múltiplas crises e com a ofensiva norte-americana, nós compreendemos a necessidade de caminhar cada vez mais para superar a nossa dependência tecnológica”, disse em entrevista à Sputnik. A fala reforça a estratégia do governo brasileiro de ampliar capacidades nacionais em setores estratégicos.
Luciana destacou que Brasil e Índia compartilham características comuns na atual transformação industrial, especialmente por possuírem reservas relevantes de minerais críticos, como lítio e terras raras. Para ela, a meta não é apenas exportar matéria-prima, mas agregar valor à produção.
“Nós não queremos só exportar os minérios críticos, nós queremos manufaturar no Brasil, e a experiência que a Índia tem e a própria China tem na área de terras raras, nos interessa muito nessa perspectiva garantir que o Brasil possa entrar nesse mercado tão promissor e tão estratégico”, afirmou.
A ministra apontou que a busca por desenvolvimento próprio aproxima países do Sul Global. “Nós, países do Sul Global [...] temos estágios muito parecidos de desenvolvimento e até de domínio tecnológico”, disse. Segundo ela, essa convergência cria condições para ampliar a cooperação científica e industrial.
Inteligência artificial e semicondutores
Durante a visita, Luciana Santos ressaltou que a transformação digital e a indústria de semicondutores ganharam centralidade na agenda bilateral. Ela lembrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da Cúpula de Impacto da Inteligência Artificial, onde defendeu a necessidade de regulação do setor voltada ao desenvolvimento.
“E agora ganha importância a questão dos semicondutores e da transformação digital”, afirmou. “Todo esse debate da transformação digital, de semicondutores, que é um insumo muito importante para tudo que é cadeia produtiva no mundo, a gente tem muito a ganhar com a cooperação intensa com os indianos.”
A ministra também citou investimentos indianos em transição energética, transmissão de energia e fertilizantes, além de parcerias acadêmicas, como a cooperação entre a Universidade do Paraná e a Universidade de Bangalore na área de computadores de alto desempenho. “Ele já é importante, mas a gente pode fazer muito mais quando tiver mais, intensificar essa cooperação”, declarou.
Acordos firmados entre Brasil e Índia
No contexto da visita, foram formalizados diversos memorandos de entendimento e acordos bilaterais, incluindo:
- Memorando entre os ministérios de Minas da Índia e de Minas e Energia do Brasil para cooperação em elementos de terras raras e minerais críticos
- Acordo entre o Conselho de Pesquisa Científica e Industrial da Índia (CSIR) e o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) para acesso à Biblioteca Digital de Conhecimento Tradicional (TKDL)
- Memorando entre a Anvisa e a Organização Central de Controle de Padrões de Medicamentos da Índia
- Cooperação no setor postal entre os ministérios das Comunicações dos dois países
- Acordo entre ministérios voltados às micro, pequenas e médias empresas
- Memorando entre o Ministério do Aço da Índia e o Ministério de Minas e Energia do Brasil para a cadeia de suprimentos do aço
- Entendimento sobre o uso de certificados eletrônicos de origem entre Brasil e Índia
Os acordos ampliam a integração bilateral em áreas estratégicas, reforçando a agenda de soberania tecnológica, desenvolvimento industrial e cooperação científica entre as duas nações.




