Nathalia Urban por Milenna Saraiva

Esta seção é dedicada à memória da jornalista Nathalia Urban, internacionalista e pioneira do Sul Global

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Rússia desenvolve material para proteger naves espaciais da radiação

Estudo buscou desenvolver material que, além de apresentar alto desempenho na blindagem, fosse economicamente viável para aplicação em larga escala

O foguete Angara-A5 decola de sua plataforma de lançamento no Cosmódromo de Vostochny, na região de Amur, Extremo Oriente da Rússia, em 11 de abril de 2024. (Foto: Roscosmos/Ivan Timoshenko/Handout)

247 - Pesquisadores da Universidade Federal do Extremo Oriente, na Rússia, e de outras instituições de ensino superior desenvolveram um novo material compósito altamente eficaz para proteger equipamentos espaciais e astronautas da radiação. A informação foi divulgada pela TV BRICS.

Em missões de exploração do espaço profundo, é fundamental enfrentar o desafio da proteção da tripulação contra a radiação cósmica e o vento solar — fluxos de partículas de alta energia que representam riscos tanto à saúde humana quanto ao funcionamento dos sistemas eletrônicos. Segundo os cientistas, a radiação cósmica ioniza os materiais da nave, o que provoca a emissão de radiação secundária no interior da própria estrutura.

Para garantir uma proteção eficaz, os pesquisadores explicam que é possível combinar diferentes soluções: dispersores de “materiais leves” ricos em hidrogênio, capazes de reduzir o impacto de partículas energéticas, e metais pesados ou compósitos à base desses metais, mais adequados para a atenuação e absorção da radiação fotônica, conforme informado no site da universidade.

O objetivo do estudo foi desenvolver um material que, além de apresentar alto desempenho na blindagem contra radiação, fosse economicamente viável para aplicação em larga escala na indústria espacial.

"Estamos propondo compósitos cerâmico-metálicos do sistema LaB6-Al-Mg, sinterizados por uma tecnologia avançada de sinterização por plasma", explicou o líder da pesquisa, Oleg Chitchalin.

O material inovador combina alta densidade com excelente capacidade de absorção de prótons. Os testes indicaram que o melhor desempenho na proteção contra radiação foi alcançado com uma composição contendo 50% de hexaboreto de lantânio (LaB₆). Mesmo em camadas finas, o material é capaz de oferecer proteção eficaz aos metais. Além disso, o compósito pode ser facilmente trabalhado com ferramentas convencionais, o que permite a fabricação de componentes de geometria complexa para aplicações em estruturas espaciais.

A pesquisa integra projetos estratégicos voltados ao desenvolvimento da ciência e da tecnologia espacial da Rússia, com foco em viabilizar missões tripuladas de longa duração, incluindo iniciativas de exploração do espaço cislunar.

O estudo contou com a participação de pesquisadores da Universidade Estadual de Sacalina, da Universidade Politécnica de Tomsk e do Instituto Tananaev de Química e Tecnologia de Elementos Raros e Recursos Minerais, vinculado ao Centro Científico de Kola da Academia de Ciências da Rússia.

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