Viés em IA pode afetar a Índia de forma invisível ao Ocidente, alerta Modi, que pede cooperação global
No India AI Impact Summit 2026, em Nova Déli, primeiro-ministro diz que modelos treinados com dados ocidentais podem falhar
247 – O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, afirmou que os riscos de viés e limitações em sistemas de inteligência artificial (IA) permanecem “profundamente relevantes” e tendem a crescer à medida que a adoção da tecnologia acelera. Em entrevista à agência ANI, Modi defendeu cooperação global para enfrentar distorções relacionadas a gênero, idioma e condição socioeconômica, destacando que a diversidade linguística e cultural indiana faz com que o problema se manifeste de maneiras que nem sempre são evidentes em contextos ocidentais.
Segundo a ANI, as declarações ocorreram no contexto do India AI Impact Summit 2026, inaugurado por Modi no Bharat Mandapam, em Nova Déli, reforçando o posicionamento da Índia como protagonista na discussão internacional sobre inteligência artificial responsável e inclusiva.
Riscos crescem com a expansão da IA
Modi alertou que, à medida que a inteligência artificial se torna mais presente em diferentes setores, os riscos associados também aumentam. Ele afirmou: "As preocupações relacionadas ao viés e às limitações da IA continuam profundamente relevantes. À medida que a adoção da IA se acelera, os riscos também aumentam. Os sistemas de IA podem, inadvertidamente, perpetuar vieses relacionados a gênero, idioma e origem socioeconômica. O AI Impact Summit 2026 está reunindo diversas partes interessadas e criando conscientização global sobre questões como vieses e limitações da IA. Este é um tema que exige cooperação global."
A fala ressalta que os sistemas automatizados não são neutros por natureza. Quando treinados com bases de dados limitadas ou desbalanceadas, podem reproduzir desigualdades estruturais já existentes na sociedade. Assim, a expansão da IA exige mecanismos de governança e fiscalização que acompanhem seu avanço tecnológico.
Desafios específicos da diversidade indiana
O primeiro-ministro destacou que a Índia enfrenta desafios particulares devido à sua pluralidade cultural, linguística e regional. Ele declarou: "Para a Índia especificamente, enfrentamos desafios e oportunidades únicos. Nossa diversidade — linguística, cultural e regional — significa que o viés da IA pode se manifestar de maneiras que talvez não sejam óbvias em contextos ocidentais. Um sistema de IA treinado principalmente com dados em inglês ou em contextos urbanos pode ter desempenho fraco para usuários rurais ou falantes de línguas regionais."
A observação aponta para um problema estrutural: muitos modelos globais são desenvolvidos com predominância de dados em inglês e com foco em realidades urbanas. Em um país com centenas de idiomas e profundas diferenças regionais, isso pode resultar em sistemas menos eficazes — ou mesmo excludentes — para grande parte da população.
Resposta indiana: dados diversos e pesquisa sobre justiça algorítmica
Modi afirmou que o país começou a enfrentar essas questões de maneira mais sistemática. Ele disse: "O desenvolvimento positivo é que a Índia está começando a tratar essa questão de forma mais sistemática. Estamos vendo um foco crescente na criação de conjuntos de dados diversos que representem a pluralidade da Índia, maior ênfase no desenvolvimento de IA em línguas regionais e expansão das pesquisas sobre equidade e viés em instituições acadêmicas e empresas de tecnologia indianas."
Segundo o primeiro-ministro, há um movimento interno para ampliar a representatividade dos dados utilizados no treinamento de sistemas de IA, fortalecer o desenvolvimento tecnológico voltado às línguas regionais e incentivar pesquisas acadêmicas que investiguem justiça e imparcialidade nos algoritmos.
Índia busca protagonismo na agenda global de IA
O India AI Impact Summit 2026, realizado em Nova Déli, reforça a intenção do país de atuar como plataforma estratégica na definição da agenda global de inteligência artificial. O evento é apresentado como um espaço de convergência entre governos, empresas, pesquisadores e sociedade civil, com foco em uma abordagem orientada ao desenvolvimento.
Ancorado nos chamados “Sete Chakras” e nos “Três Sutras” — Pessoas, Planeta e Progresso — o Summit propõe um marco conceitual para promover uma IA voltada ao crescimento econômico, à inclusão social e à sustentabilidade.
Ao enfatizar a necessidade de cooperação internacional e sistemas mais inclusivos, Modi insere a Índia no debate central sobre governança tecnológica global. A mensagem é clara: o avanço da inteligência artificial deve considerar a diversidade cultural e linguística das nações, evitando que modelos desenvolvidos em contextos específicos sejam aplicados de forma universal sem adaptações adequadas.




