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Entenda a visão de Xi Jinping para a China e o mundo no discurso de Ano Novo

Mensagem presidencial projeta modernização chinesa, inovação tecnológica e maior protagonismo global em meio a um cenário internacional em transformação

Xi Jinping (Foto: Reprodução (CGTN))

247 - O presidente da China, Xi Jinping, voltou a usar sua tradicional mensagem de Ano Novo para apresentar um balanço dos avanços do país e delinear os rumos estratégicos da nação para os próximos anos. Falando de seu escritório, tendo ao fundo a Grande Muralha — símbolo histórico da resiliência e da civilização chinesa —, Xi destacou conquistas econômicas, sociais e diplomáticas, além de reafirmar o papel da China na construção de uma ordem internacional mais equilibrada.

A análise foi publicada originalmente pela agência estatal chinesa Xinhua, que detalhou os principais eixos do pronunciamento presidencial, transmitido em várias línguas para audiência global, e interpretou o discurso como um retrato abrangente da visão de Xi para a China e para o mundo.

Novo ciclo da modernização chinesa

O ano de 2025 marcou a conclusão do 14º Plano Quinquenal de desenvolvimento econômico e social da China. Ao fazer o balanço desse período, Xi afirmou: “Cumprimos as metas do plano e avançamos de forma sólida na nova jornada da modernização chinesa.” Segundo o presidente, os resultados criaram bases consistentes para o próximo ciclo de planejamento.

Com o início do 15º Plano Quinquenal, a partir de 2026, Xi defendeu a promoção do desenvolvimento de alta qualidade, o aprofundamento das reformas e da abertura econômica, além da busca pela prosperidade comum. O objetivo, segundo ele, é escrever um novo capítulo nos chamados “milagres econômicos e sociais” do país.

No centro dessa estratégia está a transformação da economia chinesa em um polo de inovação. Xi tem reiterado a importância do avanço tecnológico, especialmente em áreas de ponta. Em uma visita a Xangai no ano passado, ele percorreu um centro-modelo de inovação que abriga mais de 100 empresas voltadas a tecnologias avançadas, onde teve contato direto com produtos baseados em inteligência artificial.

Durante a visita, Xi observou que a China dispõe de “abundantes recursos de dados, um sistema industrial completo e um mercado de grande escala”, fatores que, segundo ele, criam perspectivas promissoras para o desenvolvimento da inteligência artificial.

Cooperação tecnológica e desenvolvimento verde

Além do investimento interno, o presidente chinês tem defendido a cooperação internacional em tecnologia. Na reunião de líderes da APEC, realizada na Coreia do Sul, em novembro passado, Xi propôs a criação de uma Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial, voltada à governança global e à colaboração entre países. Para ele, o avanço acelerado de tecnologias de fronteira “está abrindo novos horizontes para a humanidade.”

Outro pilar destacado no discurso foi o desenvolvimento sustentável. Na mensagem de Ano Novo, Xi afirmou que “águas límpidas e montanhas verdejantes tornaram-se uma característica marcante de nossa paisagem”, reafirmando uma visão ambiental que ele sustenta há décadas.

Esse compromisso foi reforçado em discurso por vídeo na Cúpula do Clima da ONU de 2025, quando Xi anunciou as Contribuições Nacionalmente Determinadas da China para 2035. Entre as metas, ele prometeu que o país reduzirá as emissões líquidas de gases de efeito estufa em toda a economia entre 7% e 10% em relação ao pico, ou até mais.

Para o comentarista político Ang Teck Sin, com sede em Cingapura, a modernização chinesa tem impacto que ultrapassa as fronteiras nacionais. “A China demonstrou a possibilidade de alcançar o desenvolvimento nacional ao mesmo tempo em que contribui para a prosperidade global compartilhada”, afirmou.

China e a ordem internacional

Em meio a um cenário global marcado por instabilidade, Xi também destacou a atuação diplomática da China. Em setembro, durante a cúpula da Organização para Cooperação de Xangai, realizada em Tianjin, ele apresentou a Iniciativa de Governança Global. Na mensagem de Ano Novo, explicou: “Após anunciar as três iniciativas globais sobre desenvolvimento, segurança e civilização, propus a Iniciativa de Governança Global para promover um sistema de governança internacional mais justo e equitativo.”

O ano de 2025 também coincidiu com os 80 anos da vitória na Guerra Mundial Antifascista e da fundação das Nações Unidas. Às vésperas da cúpula da OCS, Xi reuniu-se com o secretário-geral da ONU, António Guterres, e reafirmou o compromisso da China com os princípios da Carta das Nações Unidas.

Diante de um mundo em transformação, marcado pelo avanço da multipolaridade, dificuldades da globalização econômica e crescentes demandas por maior democracia nas relações internacionais, Xi criticou indiretamente o ressurgimento do pensamento de Guerra Fria, do hegemonismo e do protecionismo.

O economista norte-americano Jeffrey Sachs avaliou que “a Iniciativa de Governança Global representa um passo sem precedentes rumo à construção de uma ordem mundial alternativa, multipolar e mais equitativa.”

Diplomacia ativa e abertura econômica

No discurso de Ano Novo, Xi afirmou que a China “continuou a abraçar o mundo de braços abertos.” A declaração foi respaldada por um ano de intensa atividade diplomática, com visitas ao Sudeste Asiático e à Ásia Central, além do recebimento de líderes estrangeiros em território chinês, sempre com ênfase na cooperação de benefícios mútuos.

Durante a visita do rei Tupou VI, de Tonga, à China, em novembro, o monarca conheceu a tecnologia Juncao, iniciativa defendida por Xi para o combate à pobreza. A técnica utiliza um tipo de gramínea para o cultivo de cogumelos comestíveis, alimentação animal e prevenção da erosão do solo. Segundo o rei, a tecnologia tem grande potencial para países em desenvolvimento como Tonga.

Xi afirmou ao líder do Pacífico que a China está disposta a compartilhar oportunidades de desenvolvimento com outras nações. Esse discurso foi acompanhado por medidas práticas, como o lançamento, em dezembro, de operações aduaneiras especiais no Porto de Livre Comércio de Hainan, o maior do mundo em área, com ampliação de tarifas zero e facilitação de negócios.

Durante visita à província insular, Xi definiu Hainan como uma porta de entrada estratégica para a nova fase de abertura da China ao mundo. Sobre a trajetória histórica das reformas, declarou: “Estamos seguindo o caminho da reforma e da abertura com características chinesas, passo a passo, e chegamos até aqui.”

O diretor do Centro Nacional de Estudos da APEC do Instituto Coreano de Política Econômica Internacional, Lee Ju-kwan, avaliou que “a China não faz promessas vazias”. Para ele, o país transformou compromissos em ações concretas, que “demonstram de forma vívida o compromisso da China com o avanço da abertura e o cumprimento de suas responsabilidades como grande país.”

A mensagem final de Xi sintetizou essa postura: “A China sempre se posiciona do lado certo da história e está pronta para trabalhar com todos os países para promover a paz e o desenvolvimento mundiais e construir uma comunidade com futuro compartilhado para a humanidade.”

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