Ancelotti mantém mistério na escalação e admite Neymar por mais tempo em duelo contra o Japão
Técnico prega cautela antes do mata-mata, valoriza experiência do elenco e diz que o camisa 10 pode ganhar mais minutos na Copa
247 - O técnico da seleção brasileira, Carlo Ancelotti, afirmou neste domingo (28), na véspera do confronto contra o Japão, que o Brasil precisa entrar em campo com “mente, coração e ideias claras” para superar o primeiro desafio eliminatório da Copa do Mundo. O treinador tratou a partida desta segunda-feira (29), às 14h, no horário de Brasília, no NRG Stadium, em Houston, como uma decisão sem margem para erro.
A equipe brasileira chega aos 16 avos de final sob expectativa elevada, mas Ancelotti evitou qualquer tom de favoritismo. Para o italiano, a mudança de fase altera completamente o peso do jogo, já que uma derrota encerra imediatamente a campanha no Mundial.
“Para amanhã, precisamos de mente, coração, ideias claras. Temos que estar preparados para tudo que pode acontecer em uma eliminatória. Nos últimos jogos, saímos bem, então estamos preparados para tudo que possa acontecer amanhã. Isso não é um ‘mata-mata’, é um ‘mata’. Não tem volta”, afirmou.
O treinador também demonstrou respeito pelo Japão, rival que já venceu o Brasil por 3 a 2 em amistoso disputado em outubro de 2025. Na avaliação de Ancelotti, aquele resultado serviu de alerta sobre a qualidade da seleção japonesa e reforçou a necessidade de encarar o duelo com máxima seriedade.
“Foi uma boa experiência para gente saber que o Japão é uma equipe competitiva e uma das melhores do mundo. Eles venceram a Inglaterra em março, então temos total respeito por eles e a gente se preparou para o jogo como uma final, até porque é uma final”, declarou.
Ancelotti também rejeitou a leitura de que o Brasil estaria em um lado mais simples da chave. O técnico afirmou que todos os confrontos da fase eliminatória carregam dificuldades próprias e avaliou que a Copa do Mundo segue aberta, sem uma seleção claramente acima das demais.
“Não concordo com quem diz que o lado do Brasil é o lado fácil. Todos os jogos são difíceis. Há muitas coisas, muita pressão. Sigo convencido de que, até agora, não há um favorito claro. Algumas equipes foram melhores que outras, mas nenhum favorito claro. Será um mundial bastante equilibrado”, disse.
Sobre as condições da partida em Houston, o treinador minimizou o impacto do horário e do clima. Apesar de reconhecer que jogar ao meio-dia muda a rotina da equipe, ele avaliou que a estrutura do estádio deve evitar maiores problemas físicos para os atletas.
“A rotina mudou um pouco, jogar ao meio-dia é um pouco diferente. A estrutura do estádio é boa, não vamos sofrer com o calor. Temos que mudar coisas, mas os jogadores estão acostumados a treinar nessa hora. Não devemos ter esse problema”, afirmou.
A escalação foi mantida em sigilo. Ancelotti evitou antecipar os titulares, mas indicou que não deve promover grandes alterações em relação à formação utilizada nos compromissos recentes da Seleção.
“Não quero dar a escalação porque não quero que vocês fiquem mais tranquilos. Vou pensar na escalação perfeita, e vocês vão ver na hora”, afirmou.
Em tom bem-humorado, o técnico reforçou a tendência de continuidade. “Todos os jogadores estão bem. Não penso fazer muitas mudanças na equipe. Tranquilos, está bem? Não me acordem amanhã com ideias malucas para mudanças. Mais ou menos o mesmo do outro dia”, disse.
A experiência do elenco foi um dos pontos destacados por Ancelotti como trunfo para a fase decisiva. O treinador afirmou confiar na maturidade dos jogadores brasileiros para lidar com a pressão de uma partida eliminatória e ressaltou que a preparação buscou organizar o time para valorizar as qualidades individuais.
“O Brasil tem sorte de ter uma equipe muito forte em nível de experiência. Esses jogadores podem se preparar para o jogo, e nesse aspecto estou muito confiante”, declarou.
“Não há jogo de volta, mas o Brasil tem a sorte de contar com jogadores muito experientes nesse aspecto. A equipe tem muita sabedoria para esse tipo de partida. Nesse sentido, tenho muita confiança. Trabalhamos muito bem para organizar uma equipe com grandes jogadores individuais. O trabalho foi feito para que o time possa se beneficiar do grande talento individual de seus integrantes”, completou.
O técnico também afirmou que o Brasil se preparou para diferentes cenários, inclusive uma eventual prorrogação ou decisão por pênaltis. “Prorrogação, pênaltis... estamos preparados em todos os aspectos”, disse.
Neymar foi outro tema central da entrevista coletiva. Depois de atuar por poucos minutos contra a Escócia, o camisa 10 pode ter participação maior diante do Japão, embora Ancelotti tenha condicionado essa possibilidade ao andamento do jogo.
“Neymar está bem, ele pode jogar mais do que os 15 minutos. Está muito bem. Depende muito do contexto do jogo de amanhã”, afirmou.
O treinador também comentou a evolução física do atacante. “Neymar está progredindo muito bem. Acho que melhorou muito na semana passada. É uma pena que não tenha podido treinar conosco o tempo todo. Obviamente, pode jogar mais de 15 minutos. Depende muito do contexto da partida de amanhã.”
Na parte tática, Ancelotti valorizou a movimentação ofensiva da Seleção e citou Matheus Cunha, Lucas Paquetá e Bruno Guimarães como peças importantes para tirar referências da marcação japonesa.
“A posição de Cunha nos últimos jogos nos deu vantagem, porque é uma posição não bem definida no campo. É muito importante mudar de posição para não dar referência ao time adversário. Matheus Cunha, Paquetá e Bruno Guimarães fizeram bem isso nos últimos jogos”, explicou.
Ao analisar o adversário, o italiano mencionou Suzuki, atleta que acompanha no futebol italiano. “Há um jogador que acompanho, que joga no Parma. É Suzuki”, afirmou.



