Capitão do Irã critica Copa "desastrosa" nos EUA e detona Fifa: "temos que lutar contra tudo aqui"
Mehdi Taremi critica Copa nos EUA, cobra providências da Fifa e reclama de vistos, viagens e falta de apoio à delegação iraniana
247 - O capitão da seleção do Irã, Mehdi Taremi, fez duras críticas à Fifa após o empate por 1 a 1 com o Egito, pela fase de grupos da Copa do Mundo, e classificou a organização do torneio como um “desastre”. O atacante reclamou de problemas logísticos, da ausência de integrantes da delegação iraniana por falta de vistos dos Estados Unidos e das exigências impostas à seleção durante a competição.
Na zona mista, Taremi citou nominalmente o presidente da Fifa, Gianni Infantino, e afirmou que a entidade não conseguiu solucionar os problemas enfrentados pelo Irã desde o início da Copa. O dirigente esteve no vestiário iraniano após a estreia contra a Nova Zelândia e fez um breve discurso aos jogadores.
“Essa Copa do Mundo é um desastre. A Fifa tem que resolver todos os problemas aqui, mas infelizmente não conseguiram resolver desde o começo. O Sr. Gianni Infantino [presidente da Fifa] veio ao nosso vestiário depois do primeiro jogo contra a Nova Zelândia e disse: ‘É só o começo’. Mas a fase de grupos termina amanhã”, afirmou Taremi.
O capitão iraniano também reclamou da falta de membros importantes da delegação, que não receberam autorização para entrar nos Estados Unidos. Entre os ausentes estão integrantes da área de logística e de comunicação, além do presidente da Federação Iraniana de Futebol, Mehdi Taj.
Segundo Taremi, a situação prejudicou diretamente a preparação da equipe durante a Copa do Mundo. O atacante criticou ainda a obrigação imposta ao Irã de deixar os Estados Unidos imediatamente após as partidas e retornar para Tijuana, no México, onde a seleção passou a ficar concentrada.
“Não temos nosso pessoal de logística aqui -- eles não têm visto. Como é possível que sempre tenhamos que viajar de Tijuana? Amamos as pessoas de Tijuana. Amamos o México. Eles são pessoas humildes e nós os amamos, mas como jogador profissional em uma competição profissional, isso não é certo”, declarou.
A seleção iraniana viveu um caminho marcado por incertezas antes e durante a Copa. A participação da equipe ficou indefinida após a escalada dos conflitos envolvendo Estados Unidos e Irã no Oriente Médio, no fim de fevereiro. A demora na emissão de vistos obrigou a federação do país a mudar o local de concentração inicialmente planejado.
Antes, o Irã pretendia se instalar em Tucson, nos Estados Unidos. Com as dificuldades diplomáticas e operacionais, a delegação transferiu sua base para Tijuana, cidade mexicana próxima à fronteira. Mesmo assim, parte da equipe não conseguiu a documentação necessária para acompanhar a seleção nos jogos realizados em território norte-americano.
Na fase de grupos, o Irã enfrentou Bélgica e Nova Zelândia em Los Angeles e duelou com o Egito em Seattle. Após cada compromisso, a delegação teve de deixar os Estados Unidos e retornar ao México, medida que aumentou o desgaste da equipe durante o torneio.
Para Taremi, o cenário imposto à seleção iraniana comprometeu a disputa em condições de igualdade. O atacante afirmou que o Irã precisou enfrentar obstáculos dentro e fora de campo ao longo da competição.
“Não é justo. Nossa opinião é de que não é justo. É justo para a Fifa? Ok, bom para eles. Mas não é justo. Quem quer nos ajudar? Se eles quiserem que a gente saia, tudo bem, vamos sair. Não temos pessoal de recuperação ou logística para nos ajudar. Sempre reclamamos dessas coisas, mas ninguém ajuda. Temos que lutar contra tudo aqui”, disse o capitão.
Dentro de campo, o Irã encerrou a primeira fase na terceira colocação do Grupo G, com três pontos, atrás de Egito e Bélgica. Apesar da posição, a seleção ainda mantém chances de avançar ao mata-mata como uma das melhores terceiras colocadas da Copa do Mundo.
No momento, os iranianos ocupam a sexta posição no ranking dos terceiros colocados, que classifica os oito melhores. Para seguir no torneio, o Irã depende de combinações de resultados em três partidas: Croácia x Gana, RD Congo x Uzbequistão e Argélia x Áustria.
A seleção iraniana precisa que ao menos dois cenários ocorram: derrota da Croácia, empate ou derrota da RD Congo por menos de seis gols, e que haja um vencedor no confronto entre Argélia e Áustria. A situação é considerada difícil, especialmente porque Argélia e Áustria podem avançar juntas em caso de empate.
Caso consiga a classificação entre os melhores terceiros colocados, o Irã enfrentará a Suíça nas oitavas de final, em Vancouver, no Canadá. A partida está prevista para a próxima sexta-feira, à 0h, no horário de Brasília.



