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Agro brasileiro deve ser o principal beneficiado do acordo entre Mercosul e União Europeia

O acordo prevê a eliminação das tarifas de importação de 77% dos produtos agropecuários que o Mercosul vende para a União Europeia

Brasil suspende exportações de carne bovina à China com confirmação de caso de "vaca louca" 19/10/2019 (Foto: REUTERS/Amanda Perobelli)

247 - O agronegócio brasileiro deve ser o principal beneficiado no país depois que líderes do Mercosul e da União Europeia deram aval nesta sexta-feira (9) para a assinatura da proposta, o que pode acontecer no próximo dia 17. A integração entre dois dos maiores blocos econômicos do mundo soma 720 milhões de pessoas e mais de US$ 22 trilhões de Produto Interno Bruto (PIB). Para o Brasil, maior economia do Mercosul, o tratado amplia o acesso a um mercado de cerca de 451 milhões de consumidores.

O acordo prevê a eliminação das tarifas de importação de 77% dos produtos agropecuários que o Mercosul vende para a União Europeia, mostrou uma reportagem publicada no Portal G1. O setor poderá aumentar as vendas de produtos como café, peixes, crustáceos, frutas e óleos vegetais, que terão taxas de importação gradualmente zeradas na Europa.

A proposta prevê a eliminação de tarifas de importação sobre 91% das mercadorias negociadas entre a União Europeia e o Mercosul. Conforme estimativas europeias, as exportações do bloco para a América do Sul podem subir até 39%, com potencial de gerar cerca de 440 mil empregos no continente europeu.

Carne

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) informou que a carne bovina brasileira tem dois tipos de tarifação para ser comprada pela UE. Uma delas é a cota Hilton, para cortes nobres. O Brasil exporta 10 mil toneladas por ano com uma taxa de 20%. O percentual será zerado, caso o acordo seja aprovado. 

A taxa para outros tipos de carne bovina é de 12,8%, mais 221,1 euros por 100 kg. O Brasil deve deixar de pagar essa tarifa, se o acordo for sancionado. 

Pelo tratado, Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai poderão exportar, juntos, até 99 mil toneladas por ano, com uma tarifa inicial de 7,5%.

Café solúvel

O café é o segundo produto brasileiro mais vendido para a UE em valor exportado após a soja. O café em grão — que representa 97% das vendas do setor à UE — entrará na Europa sem precisar de tarifa. 

Atualmente, a UE aplica uma taxa de 9% sobre o café solúvel e de 7,5% sobre o torrado e moído, esclareceu o diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcos Matos. O acordo UE-Mercosul prevê que as tarifas do café solúvel e torrado e moído zerem em 4 anos.

Soja

O acordo não terá consequência para a soja, que é o produto do agro brasileiro mais exportado para a União Europeia. O produto já conta com tarifa zero tanto para o grão, como para o farelo, pontuou o diretor de Economia da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Daniel Furlan Amaral.

"Esse tratamento se mantém há muitos anos. Por essa razão, o acordo Mercosul-União Europeia não altera o cenário tarifário da soja", afirma Amaral.

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