Brasil, Argentina e Uruguai avançam na ratificação do acordo UE-Mercosul
Bloco sul-americano acelera tramitação enquanto União Europeia avalia implementação interina do tratado comercial
247 - Brasil, Argentina e Uruguai intensificaram nesta semana os trâmites para ratificar o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, firmado em 17 de janeiro, no Paraguai, após mais de duas décadas de negociações. No Congresso brasileiro, a proposta foi aprovada por ampla maioria, apesar da resistência de parte da esquerda, sinalizando avanço decisivo para a consolidação do tratado. As informações são do G1.
O governo brasileiro deve editar nos próximos dias um decreto com medidas de salvaguarda ao agronegócio — uma reivindicação antiga do setor — antes que o texto seja analisado pelos senadores. Ao defender a ratificação, o presidente da Casa, Hugo Motta, afirmou: “Chegou a hora de o Brasil confirmar sua vocação exportadora”. Ele acrescentou que enxerga o país como “o grande protagonista” na implementação do acordo.
No Uruguai, o Senado aprovou por unanimidade, na quarta-feira, o projeto de lei que ratifica o tratado. O texto agora segue para a Câmara dos Deputados, onde a votação final está prevista para esta quinta-feira (26). A movimentação demonstra alinhamento político interno em favor da integração comercial com o bloco europeu.
Na Argentina, o governo de Javier Milei busca acelerar o processo para assegurar que o país seja o primeiro a acessar as cotas de exportação de produtos agropecuários previstas no acordo. A estratégia visa garantir vantagem competitiva sobre o Brasil no aproveitamento das novas oportunidades comerciais.
Enquanto os países do Mercosul avançam na ratificação, a União Europeia também discute os próximos passos. O órgão competente no bloco europeu tem autoridade para promover uma implementação interina do acordo, enquanto aguarda parecer jurídico da Corte, o que poderia antecipar os efeitos práticos do tratado.
O acordo UE-Mercosul estabelece a redução gradual de tarifas, a harmonização de regras para o comércio de bens industriais e agrícolas, além de diretrizes para investimentos e padrões regulatórios. Caso plenamente implementado, o tratado criará uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, reunindo um mercado superior a 700 milhões de pessoas.
Apesar do apoio de países como Alemanha, Espanha e Portugal, que enxergam mais oportunidades do que riscos no aprofundamento das relações comerciais, o acordo enfrenta críticas tanto de representantes do agronegócio europeu quanto de organizações ambientalistas. Esses grupos argumentam que o tratado pode estimular práticas consideradas prejudiciais ao meio ambiente e à produção local.
A ratificação simultânea nos países do Mercosul e os debates em curso na Europa indicam que o acordo entra em uma fase decisiva, com potencial para redefinir as relações econômicas entre os dois blocos após 25 anos de negociações.


