Bancada do PT na Câmara destaca acordo Mercosul-UE como conquista do governo Lula
Bancada avalia tratado como conquista do governo Lula e defende políticas industriais para ampliar ganhos econômicos e proteger empregos
247 - A Bancada do PT na Câmara dos Deputados afirmou, nesta quarta-feira (25), que a conclusão do Acordo Mercosul-União Europeia representa um marco geopolítico, geoeconômico e diplomático para o Brasil. Segundo a avaliação, o desfecho das negociações — que se estenderam por mais de duas décadas — reflete o esforço do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de sua equipe de negociadores.
Em assinada pelo líder da bancada, deputado Pedro Uczai (PT-SC), o grupo destaca que o entendimento foi alcançado em um cenário internacional adverso, marcado pela paralisação da Organização Mundial do Comércio (OMC) e por impasses nas negociações multilaterais. O texto também menciona o contexto de tensões comerciais globais e cita ações promovidas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificando-as como ataques às regras internacionais previamente acordadas.
Para os parlamentares, a formalização do tratado ocorre em meio a um ambiente de incerteza na ordem global e simboliza, segundo a nota, a defesa do multilateralismo e da multipolaridade pelo governo brasileiro. A bancada sustenta que o acordo representa uma resposta a setores que, de acordo com o documento, apostaram contra a economia nacional e defenderam sanções comerciais consideradas injustificadas pelo grupo.
O texto ressalta ainda que as alterações incorporadas ao tratado por meio do chamado “Pacote de Brasília” ampliaram as perspectivas positivas do acordo para áreas estratégicas. No agronegócio, produtos como carnes, café, grãos e frutas tendem a ganhar maior acesso ao mercado europeu. Já na indústria de transformação, empresas brasileiras com inserção nas cadeias globais, como a Embraer, poderão ampliar presença na União Europeia e atrair investimentos produtivos.
Apesar da avaliação favorável, a bancada pondera que acordos de livre comércio, isoladamente, não garantem desenvolvimento econômico, inovação tecnológica ou geração automática de empregos de qualidade, especialmente diante das assimetrias de competitividade e domínio tecnológico entre as partes. Nesse sentido, o grupo defende que os resultados positivos dependerão da adoção de políticas consistentes de desenvolvimento, neoindustrialização, inovação, promoção do trabalho digno, redução das desigualdades e sustentabilidade ambiental.
A nota também valoriza iniciativas recentes do governo federal, como ações dos ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, além do BNDES, que preveem investimentos de centenas de bilhões de reais em setores considerados estratégicos, incluindo terras raras, inteligência artificial, energias limpas e renováveis e serviços ambientais.
Os parlamentares afirmam que acompanharão de perto a implementação do Acordo Mercosul-UE e, se necessário, defenderão a aplicação de salvaguardas previstas no texto para proteger a economia nacional e os empregos. A bancada conclui reiterando compromisso com a soberania política e econômica do país no momento em que o tratado for submetido à aprovação do Congresso Nacional.


