“Brasil é o próximo alvo da ação neocolonial dos Estados Unidos na América Latina”, diz Ben Norton
Jornalista relaciona disputa eleitoral na Colômbia à estratégia de influência de Washington sobre governos latino-americanos
247 - O jornalista e editor do portal Geopolitical Economy Report, Ben Norton, afirmou que os Estados Unidos estariam conduzindo uma ofensiva neocolonial em toda a América Latina e que o Brasil seria o próximo alvo dessa estratégia nas eleições deste ano. A avaliação foi feita após a divulgação dos resultados preliminares da eleição presidencial colombiana, marcada por forte polarização política e questionamentos da esquerda sobre a apuração.
Segundo Norton, o cenário colombiano se insere em um movimento mais amplo de intervenção política norte-americana na região. Em publicação nas redes sociais, o jornalista argumentou que Washington estaria apoiando forças políticas alinhadas aos seus interesses geopolíticos e econômicos em diversos países latino-americanos.
“O Brasil é o próximo alvo do ataque neocolonial do império dos EUA, na eleição deste ano”, afirmou Ben Norton.
O analista também sustentou que a política externa dos Estados Unidos estaria sendo guiada por uma versão contemporânea da Doutrina Monroe, princípio formulado no século XIX que estabeleceu a América Latina como área de influência estratégica de Washington. “Esta é a Doutrina Monroe colonial na era neofascista”, declarou.
Norton relaciona eleição colombiana à disputa geopolítica global
Em sua análise, Ben Norton apontou a Colômbia como um dos principais exemplos atuais dessa disputa. Segundo ele, o governo do presidente Gustavo Petro adotou posições que contrariaram interesses históricos de Washington ao fortalecer relações com a China e romper laços diplomáticos com Israel.
O jornalista destacou que Petro aderiu à Iniciativa Cinturão e Rota, projeto internacional liderado por Pequim, e assumiu uma postura crítica ao governo israelense durante a guerra em Gaza.
Para Norton, a ascensão do candidato de extrema direita Abelardo de la Espriella representaria uma mudança significativa de alinhamento internacional da Colômbia. O editor do Geopolitical Economy Report afirmou que o político colombiano defende uma aproximação com Estados Unidos e Israel e uma redução dos vínculos com a China.
Telefonema de Trump amplia repercussão internacional
A repercussão internacional da eleição colombiana ganhou novo capítulo após Abelardo de la Espriella afirmar ter recebido uma ligação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. De acordo com informações das jornalistas Julia Symmes Cobb e Marcia Carmo, enviada especial a Bogotá, o candidato declarou, durante uma transmissão em seu canal no YouTube, que foi parabenizado por Trump após a divulgação dos resultados preliminares.
Segundo dados do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), com 99,70% das mesas apuradas, De la Espriella obteve 49,65% dos votos, enquanto Iván Cepeda, candidato apoiado pela esquerda, alcançou 48,71%. A diferença é de aproximadamente 245 mil votos.
Durante a transmissão, o candidato afirmou: “Devemos todos respeitar estes resultados eleitorais.”
Ele acrescentou ainda: “E muitos países já estão se manifestando.”
A margem inferior a um ponto percentual, porém, mantém a disputa em aberto no campo político. Cepeda informou que aguardará a verificação oficial dos boletins eleitorais antes de reconhecer qualquer resultado definitivo.
Esquerda pede cautela antes da proclamação oficial
O candidato Iván Cepeda não reconheceu imediatamente o resultado preliminar divulgado pelas autoridades eleitorais colombianas. Sua posição está alinhada à do presidente Gustavo Petro, que também pediu cautela diante da pequena diferença entre os candidatos.
Em manifestação pública, Petro declarou: “Não é possível declarar nenhum presidente.Somente o escrutínio determinará quem será o próximo presidente do país.”
Petro também apelou pela manutenção da tranquilidade no país e alertou para os riscos da interferência externa no processo político colombiano. “A interferência estrangeira nos tira a liberdade”, disse,
Segundo o presidente, a Colômbia atravessa um momento de forte divisão política e necessita de um “acordo nacional” para preservar a estabilidade institucional e a paz social.
De la Espriella fala em derrota do governo Petro
Em seu pronunciamento, Abelardo de la Espriella adotou tom de vitória e afirmou que o resultado representaria uma rejeição popular ao governo de Gustavo Petro e às forças políticas que apoiaram Iván Cepeda.
“O povo colombiano, as massas, se manifestaram e derrotamos o regime.”
Conhecido pelo apelido de “O Tigre”, De la Espriella é admirador declarado de Donald Trump, do presidente argentino Javier Milei e do senador brasileiro Flávio Bolsonaro. Caso sua vitória seja confirmada após a conclusão do escrutínio oficial, a Colômbia passará por uma mudança significativa de orientação política, encerrando o ciclo iniciado com a eleição de Gustavo Petro.
Ben Norton vê padrão regional de influência dos EUA
Na avaliação de Ben Norton, o caso colombiano não seria isolado. O jornalista afirmou que processos semelhantes estariam ocorrendo em outros países latino-americanos e citou Honduras, Peru, Argentina, Chile e Equador como exemplos de uma disputa regional por influência política.
Segundo ele, os Estados Unidos estariam buscando fortalecer governos alinhados a Washington e conter a expansão das relações econômicas e diplomáticas da América Latina com a China.



