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Brasil vê acordo Mercosul-Japão como forma de equilibrar relações comerciais e reforçar autonomia

Mercosul irá acelerar agenda externa no segundo semestre

Chanceleres do Mercosul durante a cúpula do Mercosul em Assunção, Paraguai, em 29 de junho de 2026 (Foto: Presidência Paraguaia)
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247 - O Mercosul lançará oficialmente nesta terça-feira (30), durante a Cúpula de Chefes de Estado em Assunção, as negociações para um acordo de livre comércio com o Japão. A iniciativa, que já havia sido comunicada durante a reunião do G7, é vista pelo governo brasileiro como parte da estratégia de diversificação das relações comerciais brasileiras e de fortalecimento da autonomia do país em sua política externa.

A expectativa é que o acordo inclua comércio de bens, serviços e compras governamentais. Na avaliação do Itamaraty, o mercado japonês para carnes bovina e suína será um dos temas centrais das negociações. A aproximação também busca reverter a redução da participação japonesa na cooperação em diversos níveis com o Brasil observada nas últimas décadas.

O Japão integra uma agenda mais ampla de negociações comerciais do Mercosul. 

No segundo semestre estão previstas uma nova rodada do acordo de livre comércio com o Canadá, já em fase final; o aprofundamento do acordo de preferências tarifárias com a Índia; a primeira rodada de negociações com o Vietnã; a conclusão das negociações do acordo de livre comércio com os Emirados Árabes Unidos; e consultas com o setor privado sobre um eventual acordo comercial com o Reino Unido. As negociações com a Coreia do Sul permanecem suspensas devido a divergências entre as partes, mas poderão ser retomadas após novas conversas.

Os aspectos técnicos do acordo Mercosul-União Europeia continuarão sendo negociados nos próximos meses, especialmente em relação às cotas de produtos agrícolas. O entendimento é que a fase inicial será de adaptação ao acordo e que a definição de um sistema de cotas capaz de oferecer maior previsibilidade ao setor privado ainda está em discussão.

Na área financeira, o Brasil já buscou estimular o uso de moedas locais no comércio internacional, mas o governo avalia que uma redução mais ampla da dependência do dólar exige um fluxo comercial elevado e equilibrado entre os parceiros. 

Em relação ao cenário regional, o foco das conversas entre os países do Mercosul está voltado para a assistência humanitária à Venezuela, fortemente afetada por terremotos recentes. 

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