Mercosul marca assinatura do acordo com União Europeia para o dia 17 de janeiro
O Paraguai sediará o encontro. O país ocupa a presidência rotativa do bloco sul-americano
247 - O chanceler paraguaio, Rubén Ramírez Lezcano, afirmou nesta sexta-feira (9), em conversa com jornalistas, que os ministros de Relações Exteriores do Mercosul marcaram para o dia 17 de janeiro a assinatura do acordo de livre comércio com a União Europeia.
O Paraguai sediará o encontro. O país ocupa a presidência rotativa do Mercosul. A assinatura está prevista para ocorrer em Assunção, capital paraguaia. A reunião terá as presenças dos líderes sul-americanos e da presidente da Comissão Europeia (espécie de governo da UE), Ursula Von der Leyen, apontou uma reportagem da CNN.
Líderes dos dois blocos deram aval nesta sexta (9) para a assinatura do acordo. Era necessário que ao menos 15 dos 27 países da União Europeia, ou 65% da população do bloco, fossem favoráveis ao tratado. França, Hungria, Polônia, Irlanda e Áustria foram contra a proposta. A Bélgica se absteve.
O Mercosul é formado por Brasil, Paraguai, Argentina, Uruguai e Bolívia. No caso dos Estados associados estão Chile, Equador, Guiana, Colômbia, Panamá, Peru, e Suriname.
Estatísticas
O Mercosul e a UE formam um mercado com mais de 720 milhões de pessoas e mais de US$ 22 trilhões de Produto Interno Bruto (PIB).
Para o Brasil, maior economia do Mercosul, o tratado amplia o acesso a um mercado de cerca de 451 milhões de consumidores.
Segundo estimativas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a economia brasileira, de forma agregada, não deve registrar impactos negativos setoriais ao longo dos próximos 17 anos. No período, o setor de serviços tende a apresentar expansão de 0,41%, a extração mineral deve crescer 0,08% e a indústria de transformação, 0,04%.
A proposta
Nos termos do acordo, o Mercosul se compromete a eliminar tarifas sobre 91% das exportações da União Europeia, incluindo automóveis. Em contrapartida, o bloco europeu deverá retirar de forma gradual as tarifas aplicadas a 92% das exportações do Mercosul, em um processo que poderá se estender por até dez anos.
O Mercosul também concordou em extinguir tarifas incidentes sobre produtos agrícolas europeus, como os impostos de 27% aplicados aos vinhos e de 35% sobre bebidas destiladas.
Para itens agrícolas considerados mais sensíveis, a União Europeia oferecerá ampliação de cotas, entre elas um volume adicional de 99 mil toneladas métricas de carne bovina. Já o Mercosul concederá à União Europeia uma cota isenta de tarifas de 30 mil toneladas para a importação de queijos.
De acordo com a agência Reuters, a União Europeia também estabelecerá cotas para produtos como aves, carne suína, etanol, arroz, açúcar, mel, milho e milho doce.
No sentido inverso, o Mercosul adotará cotas para leite em pó e fórmulas infantis. As importações adicionais previstas equivalem a 1,6% do consumo de carne bovina e a 1,4% do consumo de aves na União Europeia.



