ONU: todos países do mundo estão menos seguros após agressões dos EUA contra a Venezuela
"Essa intervenção militar é contrária à soberania venezuelana e a carta das Nações Unidas", afirmou Ravina Shamdasani, porta-voz do Alto Comissariado
247 - O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos destacou nesta terça-feira (6) a gravidade do ataque dos Estados Unidos contra a Venezuela. 'Todos os países do mundo estão menos seguros', afirmou a ONU, de acordo com o Jornal Nacional, da TV Globo. "Essa intervenção militar é contrária à soberania venezuelana e a carta das Nações Unidas", afirmou Ravina Shamdasani, porta-voz do Alto Comissariado.
Em Washington, a Organização dos Estados Americanos (OEA) fez uma reunião emergencial - 35 países das Américas fazem parte da OEA. A Venezuela não faz parte da entidade desde 2019.
O embaixador Benoni Belli, que representa o Brasil na ONU, afirmou que “os bombardeios no território da Venezuela e o sequestro do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Lembra os piores momentos de interferência política na América Latina e no Caribe".
Entenda
Os Estados Unidos atacaram a Venezuela por terra por volta das 2h01 do último sábado (3). Nicolás Maduro e sua esposa Cilia Flores foram sequestrados e transportados para Nova York. Os EUA usaram cerca de 150 aeronaves que partiram de 20 bases militares. Pelo menos 80 pessoas morreram no ataque.
O governo do presidente Donald Trump alegou a necessidade de combater o narcoterrorismo e, mesmo sem provas, acusa Maduro de envolvimento com o tráfico de drogas. Mas o interesse estadunidense na Venezuela é outro. O país sul-americano tem cerca de 17% das reservas conhecidas de petróleo do mundo, o equivalente a mais de 300 bilhões de barris.
Antes do ataque, forças militares dos EUA já tinham sido escaladas pelo governo Trump com o objetivo de fazer uma ampla ofensiva no continente sul-americano. Desde o segundo semestre do ano passado, os EUA atacaram pelo menos 35 embarcações no Caribe e no Oceano Pacífico, em áreas próximas da América do Sul. A ofensiva resultou em 115 mortes, apontaram estatísticas oficiais.
Brasil em alerta
Ao comentar o cenário sobre a Venezuela, o embaixador Benoni Belli anunciou a posição do governo brasileiro. "O Brasil não crê que a solução da situação na Venezuela passe pela criação de protetorados no país".
O Brasil também entrou em alerta com as agressões dos EUA a países da América Latina. Um motivo é o pré-sal brasileiro. O outro é o suposto combate ao narcotráfico. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegou a pedir que os EUA atacassem barcos que supostamente estariam carregados com drogas no estado do Rio de Janeiro. O parlamentar respondeu a um post do secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, anunciando um ataque a embarcações no Oceano Pacífico.
China e BRICS
Outra causa para as agressões dos EUA é o crescimento do BRICS. A participação do grupo no PIB mundial (em PPP, a preços correntes) aumentou para aproximadamente 39% em 2023. No comércio internacional, os países do BRICS respondem por 24% do total das trocas mundiais.
De acordo com as estatísticas, publicadas no site do BRICS, o grupo representa 48,5% da população do planeta, e 36% do território global. A Agência Internacional de Energia (IEA, sigla em inglês) apontou que o grupo também corresponde a cerca de 72% das reservas mundiais de minerais de terras raras, 43,6% da produção mundial de petróleo, 36% da produção mundial de gás natural e 78,2% da produção global de carvão mineral.
O BRICS também discute a implementação de uma moeda para os países do grupo, com o objetivo de reduzir a dependência do dólar nas transações internacionais. O BRICS fica sediado na China. O país é a segunda maior potência global e ameaça a hegemonia dos EUA na política internacional.



