Parceria entre Brasil e Interpol cria força-tarefa para combater o crime organizado na América do Sul
Governo brasileiro destinará R$ 11 milhões no primeiro ano para estrutura da iniciativa
247 - Países da América do Sul passarão a atuar de forma integrada no combate ao crime organizado a partir de uma parceria entre o Ministério da Justiça e Segurança Pública do Brasil e a Interpol. O governo brasileiro destinará R$ 11 milhões no primeiro ano para financiar a estrutura da iniciativa, que funcionará no escritório da Interpol em Buenos Aires, na Argentina. Segundo o jornal Folha de São Paulo, o recrutamento de policiais dos países participantes começará em março de 2026.
O ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva, declarou que recebeu do presidente Lula (PT) a orientação para tratar o enfrentamento ao crime organizado como política de Estado. "Esta é uma pauta que tem tocado de perto a população brasileira. Todas as pesquisas indicam esse nível de prioridade. E é possível e necessário que tenhamos condições objetivas, tanto pelo marco legal quanto pelos critérios de financiabilidade e pelas iniciativas como essa, de elevar essa iniciativa a um patamar de prioridade, inegavelmente", afirmou.
A força-tarefa será baseada nas Ficcos (Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado), que reúnem a Polícia Federal (PF) e polícias estaduais em operações coordenadas, com compartilhamento de inteligência. Diante dos resultados obtidos por esse modelo no Brasil, a Interpol decidiu adaptá-lo para atuação internacional na América do Sul. A proposta é reunir profissionais de segurança pública de todos os países sul-americanos para trabalho conjunto na capital argentina.
Operação e acesso a bancos de dados globais
A previsão é que, entre 30 e 60 dias após o início do recrutamento, a força-tarefa já esteja operando e produzindo relatórios integrados de inteligência. Os agentes terão acesso direto aos bancos de dados globais da Interpol, o que permitirá ampliar o intercâmbio de informações e viabilizar operações conjuntas.
Segundo o secretário-geral da Interpol, o brasileiro Valdecy Urquiza, a ideia começou a ser estruturada após visita do presidente Lula à sede da organização, quando se discutiu como ampliar o apoio internacional ao combate ao crime organizado. Urquiza afirmou que o projeto reúne representantes dos países para atuação coordenada.
"É um modelo de força-tarefa mesmo. Eles vão sentar lado a lado, trazendo as informações que têm sobre as organizações, sobre os líderes e sobre os ativos e, a partir dali, com base nas informações dos outros países, produzir relatórios de inteligência", disse o secretário-geral.
Entre os objetivos estão rastrear e prender chefes de organizações criminosas, identificar e apreender ativos financeiros e reforçar o controle em áreas de fronteira. A Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas será responsável pelo financiamento e pela formulação de políticas públicas a partir das evidências coletadas.


