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"Pensávamos que ele ia morrer": filho de Maduro relembra agressão dos EUA e sequestro do líder venezuelano

Nicolás Maduro Guerra relata ataque de 3 de janeiro, bombardeios sobre Caracas e afirma que presidente acreditou que não sobreviveria

Nicolás Maduro cercado por agentes dos Estados Unidos (Foto: Reuters/Eduardo Munoz)

247 - O filho do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou que a família acreditava que o líder venezuelano morreria durante a agressão militar conduzida pelos Estados Unidos em 3 de janeiro, operação que resultou em seu sequestro. “Todos pensávamos que ele ia morrer naquele dia”, disse. A declaração foi dada pelo deputado Nicolás Maduro Guerra em entrevista ao jornal espanhol El País. O parlamentar relembrou o momento do ataque e relatou o conteúdo de uma mensagem enviada pelo pai durante a ação.

Segundo a AFP, Maduro Guerra afirmou que recebeu um áudio na madrugada da operação. "Nico, estão bombardeando. Que a pátria siga lutando, vamos em frente", recorda ter ouvido do líder venezuelano. De acordo com o filho, a percepção do próprio Maduro era de que não sobreviveria. "Ele achava que ia morrer naquele dia", afirmou.

A agressão militar dos EUA incluiu bombardeios em Caracas e em outras regiões do país. Cerca de cem pessoas morreram durante a operação, que resultou no sequestro de Nicolás Maduro, posteriormente levado aos Estados Unidos, onde continua detido. Após a retirada do presidente, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu temporariamente o comando do país.

Prisão e rotina

Atualmente detido em uma prisão de segurança máxima no Brooklyn, em Nova York, Maduro permanece ao lado da esposa, Cilia Flores. Segundo o relato ao El País, ele tem mantido contato telefônico com o filho, que afirma registrar as conversas.

De acordo com o relato, o presidente passou a ler a Bíblia com frequência. "Meu pai nunca foi assim, mas agora, nas ligações, às vezes começa por aí: 'Você tem que ouvir Mateus 6:33. E Coríntios 3. E o Salmo 108'", relatou Maduro Guerra.

O filho também disse que o pai pergunta sobre a família, a Assembleia Nacional e temas cotidianos, incluindo futebol. Em uma das conversas, após a eliminação do Barcelona da Liga dos Campeões em abril, Maduro reagiu com irritação, dizendo que "aquilo foi uma cagada".

No fim de março, durante uma manifestação em Caracas em apoio ao presidente, Maduro Guerra declarou à AFP que espera que o processo judicial ocorra dentro da legalidade. Ele afirmou que deseja que "o julgamento ocorra dentro da legalidade nos Estados Unidos" e que as acusações sejam rejeitadas.

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