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Venezuela condena decreto dos EUA que prevê tarifas a países que vendam petróleo a Cuba

Governo venezuelano vê decreto do presidente dos EUA, Donald Trump, EUA como um ataque às relações comerciais com Cuba e ao direito internacional

Havana, Cuba (Foto: Mintur/Reprodução)

247 - A Venezuela manifestou solidariedade a Cuba e condenou as novas medidas anunciadas pelos Estados Unidos que ampliam a pressão econômica sobre a ilha caribenha. A reação de Caracas ocorre após a assinatura de um decreto que autoriza a aplicação de direitos aduaneiros a países que mantenham relações comerciais no setor petrolífero com Havana.

"A República Bolivariana da Venezuela rejeita a Ordem Executiva emitida pelo Governo dos Estados Unidos da América, por meio da qual se pretende impor medidas punitivas aos países que decidam manter relações comerciais legítimas com a República de Cuba", afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros venezuelano em um comunicado. Na mesma nota, o governo destacou a "solidariedade com o povo de Cuba".

O ministério ressaltou ainda que "qualquer medida que limite ou condicione o intercâmbio de bens e serviços, assim como a liberdade dos Estados de decidir soberanamente seus parceiros comerciais, constitui uma violação do direito internacional e dos princípios fundamentais que regem o comércio global. O livre comércio é um princípio central das relações econômicas internacionais entre Estados soberanos e não pode estar sujeito a nenhum tipo de coerção que impeça o livre intercâmbio de bens e serviços".

"Considerar Cuba uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos da América constitui um despropósito que representa graves ameaças à sua existência como Nação", finaliza o texto.

Decreto dos EUA amplia pressão econômica sobre Cuba

O decreto assinado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prevê a possibilidade de aplicação de tarifas, de valor não especificado, contra países que forneçam petróleo ao governo cubano. Na ordem executiva, Cuba é classificada como uma "ameaça invulgar e extraordinária" à segurança e à política externa norte-americanas.

A medida provocou reação imediata em Havana. O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, classificou a decisão como uma "conspiração fascista, criminosa e genocida". No mesmo dia da assinatura do decreto, autoridades cubanas consideraram a iniciativa um "ato brutal de agressão".

Havana denuncia agressão e bloqueio prolongado

O ministro dos Negócios Estrangeiros de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla, usou as redes sociais para condenar as ameaças estadunidenses. "Denunciamos perante o mundo este ato brutal de agressão contra Cuba e o seu povo, submetidos há mais de 65 anos ao bloqueio econômico mais longo e mais cruel jamais aplicado a uma nação inteira, e que agora se pretende submeter a condições de vida extremas", escreveu Parrilla no X, antigo Twitter, segundo a agência AFP.

No início do mês, após o sequestro do venezuelano Nicolás Maduro por forças militares estadunidenses em Caracas, Donald Trump voltou a ameaçar o governo cubano, sugerindo a possibilidade de um acordo com os Estados Unidos, sem detalhar sua natureza. Na ocasião, Díaz-Canel afirmou que não havia "qualquer discussão" em curso entre os dois países.

Após o sequestro de Maduro, os Estados Unidos colocaram sob controle estadunidense o setor petrolífero da Venezuela, principal fornecedor de petróleo a Cuba desde os anos 2000. Sob embargo dos EUA desde 1962, Cuba enfrenta há três anos uma grave escassez de combustível, com impacto direto na produção de eletricidade.

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