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Brasil mira exportação de terras raras 'verdes' para a Europa

País busca acordos para fornecer minerais críticos com mineração sustentável e industrialização interna, diz o presidente da ApexBrasil, Laurindo Müller

Minério bruto de terras raras (Foto: REUTERS/Nayan Sthankiya)

247 - O Brasil pretende firmar acordos para fornecer minerais críticos, especialmente terras raras, ao mercado europeu, com foco em sustentabilidade e agregação de valor à cadeia produtiva nacional. A estratégia envolve não apenas a extração, mas também o desenvolvimento tecnológico e a industrialização desses recursos no país, segundo declarou o presidente da ApexBrasil, Laurindo Müller, em entrevista à Exame.

De acordo com Müller, o objetivo central é adotar práticas de mineração ambientalmente responsáveis, alinhadas à crescente demanda global por insumos estratégicos utilizados em tecnologias avançadas. “A gente quer ter tecnologia para explorar e acessar esses minerais, mas que seja uma tecnologia verde. A gente quer trabalhar com a mineração verde”, afirmou. Ele destacou ainda que o Brasil busca deixar de ser apenas exportador de matéria-prima bruta. “A gente não quer ser um exportador de minerais apenas. Queremos ser um exportador de uma cadeia que busque esses minerais de forma sustentável e verde, e que a gente agregue valor e industrialize no Brasil”, acrescentou.

Parcerias internacionais e interesse europeu

O dirigente da ApexBrasil explicou que o país está em negociações simultâneas com diferentes potências globais, incluindo Estados Unidos, China e União Europeia. Segundo ele, há uma intensificação recente no diálogo com os europeus, impulsionada pela necessidade do continente de acelerar sua transição energética.

“A gente negocia e quer trazer investimentos chineses, americanos e europeus para o Brasil. E tem uma intensidade maior agora nesse diálogo com os europeus”, disse Müller. Ele mencionou ainda a estratégia europeia conhecida como Global Gateway, voltada à aproximação de cadeias produtivas globais. “A Europa tem uma estratégia chamada Global Gateway, de aproximar cadeias produtivas. A gente quer colocar os minerais raros no centro dessa estratégia, pois somos muito complementares. A Europa precisa fazer uma transição energética acelerada”, afirmou.

Importância estratégica das terras raras

As chamadas terras raras são um grupo de minerais essenciais para a fabricação de produtos de alta tecnologia, como baterias, semicondutores e equipamentos eletrônicos avançados. Apesar do nome, esses elementos não são necessariamente escassos, mas sua extração e processamento são complexos e exigem tecnologias sofisticadas.

Dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) indicam que o Brasil possui a segunda maior reserva mundial desses minerais, ficando atrás apenas da China. O país asiático domina o setor, sendo responsável por mais de 60% da produção global e quase 90% do refino.

Disputa geopolítica e iniciativas regionais

O interesse internacional pelas terras raras brasileiras ocorre em meio a uma disputa global por recursos estratégicos. Em março, o governo de Goiás firmou um memorando de entendimento com os Estados Unidos para ampliar o mapeamento mineral e incentivar negócios com empresas norte-americanas.

A iniciativa, no entanto, gerou críticas do governo federal, que ressaltou que, conforme a Constituição, o controle dos recursos minerais do subsolo é de competência da União. O episódio evidencia a crescente relevância geopolítica desses minerais e o interesse de diferentes países em garantir acesso a cadeias de suprimento consideradas essenciais para o futuro tecnológico e energético.

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