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Randolfe manda recado a Trump antes de jogo da Seleção Brasileira: 'nossa soberania não se discute' (vídeo)

Reação do senador foi feita após o presidente dos EUA celebrar avanço da extrema direita na América Latina e citar o Brasil como o "próximo grande teste"

Randolfe Rodrigues, Donald Trump e um ato pela soberania brasileira (Foto: Reprodução/Redes Sociais I Cristiane Cunha/Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos I Daniel Torok/Casa Branca)
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247 - O líder do governo Lula no Congresso Nacional, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), manifestou apoio à seleção brasileira nesta quarta-feira (24) e aproveitou a mobilização em torno do Brasil para enviar um recado político ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em defesa da soberania nacional.

“Hoje é dia de torcer pelo Brasil, já estou com roupa de ir e acreditar na nossa Seleção”, afirmou o parlamentar. “Mas hoje também é dia de lembrar uma coisa importante: o Brasil é dos brasileiros. Nossa soberania não se discute e ninguém de fora vai dizer como o nosso país deve caminhar”, acrescentou.

A declaração de Randolfe ocorreu após Trump compartilhar em sua conta na Truth Social um artigo que celebra a ascensão de aliados políticos na América Latina e aponta o Brasil como o “próximo grande teste” da influência regional do republicano.

O texto divulgado por Trump leva a assinatura de John Gizzi, do site estadunidense Newsmax. Na análise, o autor afirma que o republicano acumulou “8 vitórias em 7 anos” na América Latina e descreve a região como espaço de avanço de forças de direita alinhadas ao atual ocupante da Casa Branca.

Segundo o artigo, a vitória de Abelardo de la Espriella, do Defensores de la Patria, na Colômbia, teria transformado o país na “8ª nação latino-americana em 7 anos a trocar um governo de esquerda por um de centro-direita assumidamente favorável a Trump”. A lista citada pelo colunista inclui El Salvador, Argentina, Equador, Honduras, Bolívia, Chile e Peru.

No caso do jogo da seleção, mencionado por Randolfe, a partida ocorre a partir das 19h, nesta quarta-feira (24), contra a Escócia pela Copa do Mundo, no Estádio de Miami (EUA). Pela primeira vez, o torneio tem 48 seleções, e não 32. São 12 grupos com quatro integrantes cada. Os dois primeiros de cada chave e os oito melhores terceiros colocados jogarão a etapa eliminatória. Em seguida, os 32 classificados se enfrentam em mata-mata até a final. 

Pressões comerciais e críticas ao Pix

As tensões também envolvem a política comercial dos Estados Unidos. No começo de junho, a gestão trumpista defendeu a aplicação de uma tarifa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros.

Sem provas, os EUA acusaram o Brasil de adotar práticas desleais no comércio internacional. O governo estadunidense também criticou o Pix, sistema de pagamento lançado pelo Banco Central em 2020 e amplamente utilizado por consumidores, empresas e instituições no país.

As tentativas da plicação de novas sanções se relacionam às condenações determinadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no inquérito da trama golpista. Jair Bolsonaro recebeu a pena mais alta entre os 29 condenados, com 27 anos e três meses de prisão.

Outro fator que alimenta a política unilateral dos EUA envolve a ampliação da presença da China na América Latina. O país asiático lidera a relação comercial com o Brasil e ganhou ainda mais relevância durante o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), período em que o governo brasileiro fortaleceu a cooperação com o BRICS e com o Sul Global.

China lidera comércio com o Brasil

A China, os EUA e a Argentina ocuparam as três primeiras posições entre os maiores parceiros comerciais do Brasil em 2025, segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Servi'cos (MDICS). O órgão apresentou o resultado consolidado da balança comercial de 2025, que registrou superávit de US$ 63,8 bilhões.

O país asiático comprou US$ 100 bilhões em mercadorias do Brasil, alta de 5,99% em relação a 2024. As importações chinesas para o mercado brasileiro somaram US$ 70,9 bilhões, resultado que garantiu superávit bilateral ao Brasil.

Os EUA ficaram na segunda colocação, com US$ 37,7 bilhões em exportações brasileiras e US$ 45,2 bilhões em importações. Essa relação gerou déficit para o Brasil.

Produtos fora da tarifa de 25%

A lista de produtos brasileiros que ficaram de fora da tarifa de 25% inclui itens de setores estratégicos, como alimentos, agricultura, recursos naturais, combustíveis, produtos químicos, fertilizantes, medicamentos, indústria aeroespacial, papel, celulose, metais preciosos e tecnologia. A lista foi divulgada no Portal G1.

No segmento de alimentos e produtos agrícolas, a relação inclui carne bovina em cortes frescos, refrigerados ou congelados, com osso ou desossados, além de carcaças, cortes de alta qualidade, miúdos, carne enlatada e carne seca ou defumada.

Também integram a lista frutos do mar e derivados, hortaliças, fungos, raízes, tubérculos, frutas, nozes, café, chás, erva-mate, cacau, especiarias, amido de mandioca, tapioca, sucos de frutas e preparações de açaí.

Entre os recursos naturais, minerais e combustíveis, aparecem minério de ferro, manganês, cobre, níquel, cobalto, alumínio, zinco, estanho, cromo, tungstênio, urânio, titânio e prata. A lista também inclui grafite natural, caulim, fosfatos de cálcio, sulfato de bário, magnésita, amianto, carvão, coque, gás de carvão, óleos de petróleo, querosene, lubrificantes, gás natural liquefeito, propano, butano e energia elétrica.

Produtos químicos, fertilizantes e medicamentos 

A lista de exceções alcança químicos industriais, como iodo, silício, arsênio, selênio, óxidos de zinco e titânio, além de compostos orgânicos e inorgânicos. Fertilizantes como ureia, sulfato de amônio, nitrato de sódio, cloreto de potássio e fertilizantes fosfatados também ficaram fora da cobrança.

Na área de saúde e farmacêuticos, a relação inclui vacinas humanas e veterinárias, sangue humano, antissoros, toxinas, antibióticos, hormônios, vitaminas, contraceptivos químicos e kits de ensaios clínicos.

O setor aeroespacial aparece com motores de pistão, turbojatos, turbopropulsores, hélices, rotores, trens de pouso, fuselagens, assentos de aeronaves, aparelhos de respiração, caixas-pretas, instrumentos de navegação aérea, tubos de plástico, pneus de borracha, juntas de vedação e vidros de segurança laminados destinados ao uso em aeronaves.

A lista também abrange madeira, com teca, mogno, balsa e virola em toras ou serradas; papel e celulose; metais preciosos, como ouro, prata e platina; e itens de tecnologia, incluindo máquinas para fabricação de semicondutores, circuitos integrados eletrônicos e processadores.

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Lista de produtos isentos de tarifaço. Foto: Reprodução (247/IA)



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