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‘Vamos ampliar a parceria com os EUA sem abrir mão da soberania brasileira’, afirma Lula

O presidente citou alguns temas discutidos na reunião com Donald Trump

Presidente Lula durante Encontro com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

247 - O presidente Lula defendeu neste sábado (9) a ampliação da parceria do Brasil com os Estados Unidos e destacou a importância da soberania brasileira em um contexto de negociações envolvendo terras raras, que ganharam relevância diante da corrida global por matérias-primas usadas na produção de equipamentos tecnológicos, semicondutores e sistemas ligados à transição energética. O avanço do debate também ocorre em um cenário de disputas geopolíticas entre grandes potências

“Realizamos uma reunião importante para o Brasil e para os Estados Unidos nesta semana. Discutimos o comércio bilateral, negociações tarifárias, a cooperação no combate ao crime organizado e minerais críticos. Vamos seguir em tratativas para ampliar nossas parcerias, fortalecendo sempre o caminho do diálogo sem abrir mão de nossa soberania”, postou Lula na rede social X, antigo Twitter. 

O Brasil reforçou sua posição no mercado internacional de minerais estratégicos ao avançar no debate sobre terras raras, grupo de 17 elementos químicos essenciais para setores ligados à tecnologia, defesa e energia limpa. O País possui 21 milhões de toneladas em reservas desses minerais e ocupa a segunda colocação mundial, atrás apenas da China, que concentra 44 milhões de toneladas, segundo dados de 2024 do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). A Índia aparece na terceira posição, com 6,9 milhões de toneladas.

As terras raras englobam elementos como lantânio, cério, neodímio, samário, térbio, disprósio, escândio e ítrio. A indústria utiliza esses minerais na fabricação de turbinas eólicas, veículos híbridos, celulares, televisores de tela plana, ímãs permanentes, catalisadores automotivos, lentes especiais e equipamentos militares guiados.

Mais detalhes

O crescimento da demanda global por tecnologias de baixo carbono elevou o peso econômico e estratégico desses materiais. Países industrializados ampliaram investimentos na busca por reservas minerais capazes de sustentar setores considerados decisivos para a economia do futuro.

Especialistas classificam os minerais estratégicos como recursos fundamentais para o desenvolvimento econômico e industrial das nações. Esses materiais exercem papel importante em áreas ligadas à alta tecnologia, à defesa nacional e à geração de energia limpa.

Já os chamados minerais críticos enfrentam riscos associados ao abastecimento global. Entre os fatores que aumentam a vulnerabilidade aparecem a concentração da produção em poucos países, a dependência de importações, crises geopolíticas, limitações tecnológicas, interrupções logísticas e dificuldades para substituir determinados insumos.

A definição entre mineral estratégico e mineral crítico varia conforme os interesses econômicos e industriais de cada país. Mudanças tecnológicas, novas descobertas geológicas, transformações políticas e alterações na demanda global também influenciam essa classificação ao longo do tempo.

Atualmente, minerais como lítio, cobalto, grafita, níquel e nióbio figuram entre os mais valorizados no cenário internacional. Esses recursos se tornaram peças centrais para cadeias industriais ligadas à mobilidade elétrica, produção de baterias, defesa e eletrônicos avançados.

As terras raras podem integrar tanto a categoria de minerais críticos quanto a de estratégicos, dependendo do contexto econômico e geopolítico analisado. Isso significa que uma terra rara pode assumir caráter estratégico, mas nem todo mineral estratégico faz parte do grupo das terras raras.

O avanço das discussões sobre exploração mineral e agregação de valor industrial reforça o interesse do Brasil em ampliar presença no mercado internacional de minerais críticos, em um cenário marcado pela disputa global por tecnologia, energia e soberania econômica.

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