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Lula diz que falou a Trump que "não quer guerra com ele, mas discutir fatos, provar que estamos certos"

Presidentes do Brasil e EUA se reuniram em Washington na quinta-feira; Lula afirmou ter discutido temas estratégicos como comércio bilateral e tarifas

Presidente Lula durante o evento SENTE A ENERGIA: Investimentos em Energia e Melhorias no Luz Para Todos, em Brasília (Foto: SEAUD/PR)

247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (8) que disse ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que não deseja uma “guerra” entre os dois países. A afirmação foi feita nesta sexta-feira (8), um dia após uma reunião realizada na Casa Branca, em Washington.

O encontro entre Lula e Trump, articulado desde março, durou cerca de três horas e abordou temas estratégicos como comércio bilateral, tarifas de importação, terras raras, plataformas digitais e combate ao crime organizado. Durante conversa com jornalistas, Lula afirmou ter defendido diretamente ao presidente norte-americano que as tarifas impostas ao Brasil representam um erro econômico.

“Era preciso colocar a verdade na mesa. Eu disse ao presidente Trump: ‘eu não quero guerra com você. Eu sei que você tem o melhor navio do mundo, o melhor caça do mundo, o melhor... Eu sei de tudo isso. É preciso disputar comigo na narrativa, eu quero discutir fatos, não quero guerra. Quero provar que nós estamos certos’”, disse Lula durante o evento Sente a Energia, que marcou a renovação de 16 contratos de concessão de distribuidoras de energia elétrica no país. .

O presidente brasileiro argumentou que a balança comercial entre os dois países é favorável aos Estados Unidos , motivo pelo qual considera injustificável o aumento de tarifas aplicado pelos EUA.

Segundo Lula, os governos dos dois países agora tentam avançar em um entendimento técnico para resolver o impasse comercial. O petista informou que foi estabelecido um prazo de 30 dias para que representantes das áreas econômicas cheguem a um consenso.

“Nós estamos trabalhando com os EUA muito seriamente, falta acertar a questão dos preços [tarifas] entre os nossos ministérios. Ontem, eu dei 30 dias para que o Ministério da Indústria e do Comércio do Brasil e deles resolvam a situação, porque cada um fica dizendo um número. E disse para o Trump que daqui 30 dias a gente volta a conversar, não precisa ir até lá, pode ser por telefone”, afirmou.

Lula também destacou que o Brasil está disposto a ampliar o diálogo com os Estados Unidos em diversas áreas estratégicas, incluindo regulação das big techs, plataformas digitais e segurança internacional.

“Eu ainda disse para o presidente Trump: ‘Nós somos dois homens de 80 anos de idade, e dois homens de 80 anos não brincam em serviço. A natureza é implacável, teoricamente, nós temos menos tempo pela frente, por isso que nós temos que saber o que nós queremos fazer’”, relatou.

Ao comentar a relação diplomática entre Brasília e Washington, Lula afirmou que o respeito internacional depende da postura soberana de cada país.

“Ninguém respeita quem não se respeita. Ninguém respeita lambe botas. Se você quer ser respeitado, você se respeite em primeiro lugar. É assim que eu me comporto. Estou muito tranquilo na relação com os EUA”, declarou.

O presidente ainda afirmou que empresários brasileiros podem esperar novos avanços comerciais e diplomáticos nos próximos meses, tanto com os Estados Unidos quanto com outros parceiros internacionais.

“E os empresários brasileiros podem ter certeza que vai acontecer muita coisa daqui pra frente. E vai continuar acontecendo com a China, e vai acontecer com a Alemanha”, concluiu Lula.

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