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Complexo de reciclagem do DF avança com R$ 21,3 milhões do BNDES em nova fase

Projeto amplia inclusão de mais de mil catadores, fortalece cooperativas e investe em gestão integrada de resíduos sólidos no Distrito Federal

Material para reciclagem (Foto: Bruno Spada/BNDES)

247 - O projeto de modernização do Complexo Integrado de Reciclagem do Distrito Federal entrou em uma nova etapa com o início das obras de adequação da estrutura e a entrega de equipamentos estratégicos. A iniciativa busca fortalecer a gestão de resíduos sólidos no DF e ampliar a inclusão socioprodutiva de catadores de materiais recicláveis, promovendo ganhos ambientais e sociais de grande escala.

O avanço do projeto é apoiado com R$ 21,3 milhões em recursos não reembolsáveis do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. A nova fase foi marcada por uma cerimônia realizada na sexta-feira (9), com a presença da governadora em exercício do Distrito Federal, Celina Leão, da diretora do BNDES Maria Fernanda Coelho e da presidenta da Centcoop, Lúcia Fernandes.

Executado pelo Governo do Distrito Federal, o projeto conta ainda com contrapartida do GDF e de parceiros, somando R$ 27,5 milhões adicionais. Ao todo, os investimentos alcançam R$ 48,8 milhões, destinados à reforma de um centro de triagem, à construção de outros cinco centros, de um centro de comercialização e de dez pontos de entrega de entulho. Também estão previstas a aquisição de máquinas e equipamentos, além de ações de capacitação e assistência técnica.

A iniciativa tem como eixos centrais a ampliação da coleta seletiva e a geração de renda para mais de mil catadores, que atuam nos galpões operados pela Central de Cooperativas de Trabalho de Materiais Recicláveis do Distrito Federal e Entorno. Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o projeto reafirma o compromisso histórico da instituição com o setor. “Com esse projeto, o BNDES reforça sua atuação na inclusão dos catadores e catadoras de materiais recicláveis”, afirmou. “Esta é uma política assumida pelo presidente Lula há anos, e o BNDES tem tido um papel relevante, com investimentos de longo prazo que unem sustentabilidade, desenvolvimento e justiça social”.

Durante o evento, Celina Leão destacou a importância da articulação entre diferentes esferas do poder público. “Precisamos ter a capacidade de diálogo e articulação, cada um fazendo a sua parte, olhando para as pessoas, por isso quero aqui agradecer ao Governo Federal em nome do BNDES”, declarou.

A diretora do BNDES Maria Fernanda Coelho anunciou o desembolso da última parcela dos recursos destinados ao projeto. “É com alegria que estamos liberando cerca de R$ 5,3 milhões em recursos não reembolsáveis, parceria com SLU [Serviço de Limpeza Urbana do DF] e Novacap [Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil]”, disse. “Buscamos cada vez mais fortalecer o processo de profissionalização das catadoras e catadoras”.

Nesta etapa, os recursos do banco estão sendo aplicados na aquisição de pás-carregadeiras, caminhões e empilhadeiras, além de obras de adequação elétrica, civil e hidráulica para a instalação das linhas de beneficiamento de plásticos, vidros e de tratamento de efluentes. Os equipamentos foram entregues pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente do DF.

Para a presidente da Centcoop, os investimentos representam um salto na qualidade de vida dos trabalhadores do setor. “Temos uma gratidão imensa com o BNDES por essa parceria, que não é de agora e que traz dignidade ao trabalho dos catadores”, afirmou Lúcia Fernandes. “Esses investimentos, graças ao BNDES e outros parceiros, vão trazer um avanço muito grande na renda dos catadores, com a entrega das pás carregadeiras, o início da construção e mais equipamentos que estão para chegar, empilhadeiras, caminhões”.

Com 17 anos de atuação, a Centcoop reúne 22 cooperativas associadas e mais de 1,1 mil catadores, sendo 72% mulheres. A central recicla cerca de 12 mil toneladas de resíduos por ano, gerando impacto ambiental positivo e inclusão social em larga escala. Uma das lideranças da entidade, Aline Sousa, simboliza essa trajetória de transformação. Filha de catadores, ela começou ainda jovem no setor e ganhou reconhecimento nacional ao ser uma das oito pessoas escolhidas para entregar a faixa presidencial ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2023.

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