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Empresas brasileiras se destacam em prêmio global de sustentabilidade

Soluções com inteligência artificial para água e saúde infantil colocam o Brasil entre os vencedores do Prêmio Zayed de Sustentabilidade

Prêmio Zayed de Sustentabilidade (Foto: Divulgação)

247 - Duas iniciativas de origem brasileira estão entre as vencedoras do Prêmio Zayed de Sustentabilidade, reconhecimento internacional voltado a projetos inovadores que enfrentam desafios ambientais e sociais em escala global. Na edição mais recente, foram premiadas a startup Stattus4, especializada no uso de inteligência artificial para identificar vazamentos de água, e a Jade, aplicativo voltado ao diagnóstico precoce e ao acompanhamento terapêutico de crianças com transtorno do espectro autista (TEA), desenvolvido sob a bandeira do Brasil, informa a Folha de São Paulo.

Criado em 2008, o Prêmio Zayed de Sustentabilidade incentiva soluções nas áreas de saúde, alimentação, energia, água, ação climática e escolas secundárias globais. Nesta edição, a premiação registrou número recorde de inscrições, com projetos apresentados por participantes de 173 países, reforçando a competitividade e o alcance internacional da iniciativa.

A Stattus4 foi reconhecida por tecnologias voltadas à redução de perdas no sistema de abastecimento de água. Segundo estudo divulgado em novembro de 2025 pelo Instituto Trata Brasil, 40,31% da água tratada produzida no país se perde antes de chegar ao consumidor final. Para enfrentar esse problema, a empresa desenvolveu o 4Fluid, um dispositivo que capta vibrações sonoras em hidrômetros e envia os dados para análise por um sistema próprio de inteligência artificial, capaz de mapear vazamentos de forma precisa.

Além disso, a startup criou sensores fixos que monitoram continuamente as redes de distribuição, medindo variações de pressão e identificando áreas com possíveis falhas. “Na Sanepar —companhia de saneamento que atende todo o estado do Paraná— conseguimos reduzir o tempo médio de identificação de um vazamento de 180 dias para menos de 5”, afirma Marília Lara, CEO e cofundadora da Stattus4.

De acordo com a empresa, mais de 4 milhões de pessoas já foram beneficiadas pelas soluções desenvolvidas, com economia estimada em 5,56 bilhões de litros de água por dia. Atualmente, a tecnologia monitora cerca de 5.000 quilômetros de tubulações e já identificou mais de 22 mil pontos potenciais de vazamento. “Para mim, é um orgulho ser uma das empresas escolhidas, não apenas pelo projeto, mas também por levar a nossa bandeira, mostrando que o Brasil sabe, sim, desenvolver tecnologia de ponta”, diz Marília.

Na categoria saúde, a premiada foi a Jade, fundada por um brasileiro e hoje sediada nos Emirados Árabes Unidos. O aplicativo atua no diagnóstico e no suporte ao tratamento de crianças com TEA, utilizando a técnica de Aprendizagem por Tentativas Discretas. A plataforma oferece jogos digitais que estimulam funções executivas, como atenção, memória, controle de impulsos e adaptação a novas situações.

Durante as atividades, o desempenho das crianças é monitorado e os dados são processados por inteligência artificial, gerando relatórios usados tanto no diagnóstico quanto na personalização das terapias. A ferramenta também transforma essas informações em atividades educativas fora das telas, adaptadas às dificuldades específicas de cada aluno.

“A gente não quer que a criança se fixe tanto no jogo. Isso é essencial para a cognição deles”, afirma Ronaldo Cohin, CEO e fundador da Jade. Segundo ele, com o uso da tecnologia, o prognóstico pode ser elaborado em cerca de duas semanas, com recomendação de uso de 15 minutos por dia, três vezes por semana.

O aplicativo também atende crianças não verbais, grupo em que, de acordo com Cohin, avaliações exclusivamente humanas enfrentam maiores limitações. Ele destaca que a proposta é reduzir a subjetividade presente nos métodos tradicionais. “Isso acontece porque a análise é subjetiva. Um profissional pode interpretar um comportamento de uma forma, outro de maneira distinta —e ambos podem estar errados”, afirma.

A criação da Jade foi inspirada na experiência pessoal do fundador com o filho, diagnosticado com autismo aos três anos. “Ele passou do nível 2 de suporte para o 1. Hoje, com 12 anos, leva uma vida praticamente normal”, relata. Segundo Cohin, muitos pais tendem a ignorar o diagnóstico inicial, o que compromete a eficácia das intervenções. “Com isso, perdem anos muito preciosos. A efetividade das terapias é maior antes dos sete anos, depois disso, os resultados já não são os mesmos.”

Atualmente, o aplicativo é utilizado em mais de 450 instituições distribuídas por 179 países e já apoiou mais de 180 mil crianças, consolidando a presença de soluções brasileiras no cenário global de inovação social e sustentabilidade.

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